O presidente da Federação dos Trabalhadores Rodoviários de São Paulo, José Rodrigues, classificou de ‘‘horrível’’ a situação. Ele retornou recentemente de uma viagem por estradas brasileiras, argentinas, uruguaias e chilenas. ‘‘As condições de higiene e segurança são precárias. Em Posadas, vários motoristas chilenos que recebem por quilômetro rodado, ficaram parados 13 dias, passando privações’’, relatou. Posadas é cidade argentina da Província de Misiones, fronteiriça a Encarnación, Paraguai.
Em São Paulo, na Ceagesp, que fica no bairro Jaguaré, caminhoneiros argentinos, chilenos, paraguaios e uruguaios permanecem a maior parte do tempo esperando o esvaziamento dos boxes dos importadores para descarregar. ‘‘Durante o dia eles usam o banheiro coletivo, que fecha de noite. Reivindicamos por escrito a construção de banheiros melhores e completos, mas esbarramos na burocracia da Ceagesp. Descobrimos que aquilo não existe legalmente, é um pântano’’, queixou-se Rodrigues.
Em suas cansativas andanças, os motoristas também não encontram local apropriado para o descanso, enquanto dura o descarregamento. ‘‘Vi em Buenos Aires, um caminhoneiro de São Paulo aguardando ordens para retornar. Todos são obrigados a passar o dia na rua ou no viaduto, usam o banheiro do botequim, e se tiverem dor de barriga são obrigados a apelar para o saco plástico’’, disse Rodrigues.
No Paraguai, a Administração Nacional de Navegação e Portos (ANNP) também não dispõe de instalações adequadas para os transportadores, em sua maioria empresas brasileiras, segundo denuncia o secretário-geral de Relações Internacionais da União de Sindicatos de Trabalhadores em Transportes, Roberto Medina.

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