Brasília, 29 (AE) - A rejeição ao auxílio-moradia concedido aos juízes por liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) voltou a unir a bancada governista aos partidos de oposição hoje. Enquanto o PT defendia a revogação da liminar pelo tribunal, líderes do PFL endossavam a ameaça do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (BA), de vetar a inclusão de créditos adicionais no Orçamento para tornar possível o pagamento do benefício.
"Essa liminar é escandalosa", dizia hoje o deputado José Genoíno (PT-SP). Para ele, se o STF revogasse a medida ainda esta semana, o Legislativo comprometeria-se a criar uma agenda a fim de discutir a fixação do teto do funcionalismo público. Segundo o deputado, a discussão do teto pode ser retomada assim que o reajuste do salário mínimo estivesse definido.
O líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), cobrou coragem dos chefes do três Poderes para que seja fixado o teto do funcionalismo.
Ele também criticou o benefício concedido aos juízes, alegando que seriam necessários mais de R$ 100 milhões para tornar vável o pagamento do auxílio-moradia. "Esta liminar abre um grave precedente, já que há mais de cinco anos os servidores públicos não têm aumento", comentou.
Oliveira acredita que o Judiciário reverterá a decisão. "A liminar foi importante para impedir a greve, mas criou um precedente muito mais grave", insistiu.
Aliado do presidente do Senado, Oliveira previu ainda que o reajuste dos magistrados deverá trazer dificuldades e constrangimentos ao governo. Ele não acredita, entretanto, que a pressão de outros setores por aumento de salários não deverá gerar muita tensão.
Oliveira garantiu que o PFL apoiará integralmente a posição de ACM e vetará qualquer tentativa de incluir no Orçamento deste ano as verbas necessárias para o reajuste dos magistrados e também de impedir a aprovação de qualquer projeto de crédito suplementar para essa finalidade.