Situação e oposição surpreendem-se com pesquisa
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quarta-feira, 29 de setembro de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 30 (AE) - Os novos números da pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) encomendada ao Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) em que 67% dos entrevistados não confiam mais no presidente Fernando Henrique Cardoso surpreenderam os líderes políticos da base governista e de oposição.
Ao mesmo tempo, o aparecimento do nome do ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes como detentor do melhor projeto para o País por 40% da população é visto por deputados e senadores como uma reação natural por causa do baixo índice de credibilidade do atual governo.
Tentando minimizar os resultados da pesquisa, o líder do PFL na Câmara, Inocêncio de Oliveira (PE), lembra que esse é retrato do momento. Mesmo assim, ele reconhece que a situação do governo é delicada. "O presidente vive um momento muito difícil
principalmente por causa do desemprego no País", observa Oliveira. Ele explica que esse número é o resultado do aperto financeiro que o Brasil está passando com o ajuste fiscal. "Mas essa crise de confiança será resolvida no momento em que melhorar as condições do País", aposta Oliveira.
Mas essa não é uma opinião única dentro da base governista. Os números do Ibope preocupam a cúpula tucana. A avaliação no PSDB é que a crise é bem mais grave do que aparentava ser. "O problema talvez não se resolva só pela retomada da economia", analisa o senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE). Ele ressalta que essa "grave crise de credibilidade" é preocupante, uma vez que ocorre com menos de um ano de governo. "Esse é um problema de julgamento da personalidade do presidente", comenta o senador tucano. "Essa é uma questão bem mais séria do que a impopularidade momentânea."
Para a oposição, a nova pesquisa constata o péssimo momento do governo Fernando Henrique. Segundo o presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire (PE), é natural que os eleitores comecem a apostar no nome de Ciro Gomes num momento de fragilidade da situação. "Quando um governo perde popularidade, a oposição cresce", avalia Freire. "Isso acontece em qualquer lugar do mundo." Ele explica que a população começou na enxergar na figura de Ciro Gomes uma oposição viável para o País.
Já o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), lembra que a pesquisa é uma crítica da sociedade à política cambial e de juros e à "irresponsabilidade da reeleição". Em relação à aprovação da proposta de Ciro Gomes, Dirceu reagiu com indignação. "A pergunta da pesquisa está direcionada, já que a mídia costuma falar que o Lula (presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva) não tem proposta", acusa Dirceu. Para ele, a oposição tem de aproveitar o momento e formar uma coalizão para ganhar essa maioria insatisfeita com o governo. Mesmo assim, ele rejeita a união com Ciro Gomes, "um representante da centro-direita".
A deputada Luíza Erundina (SP), líder do PSB na Câmara, destaca na pesquisa que, de forma precoce, a população percebeu o fim do governo Fernando Henrique. "Está muito longe das eleições de 2002, mas as candidaturas de oposição já começam a crescer como uma busca de alternativas", avalia.


