'Situação é de extrema emergência'
Curitiba- A consultora do Ministério do Meio Ambiente, Tereza Urban, participou da reunião dos secretários para defender o processo de criação de cinco unidades federais de conservação no Estado. ''Estamos diante de uma situação de extrema emergência'', analisou ela.
De acordo com a ambientalista, o Paraná tinha 170 mil quilômetros de florestas com Araucária e 30 mil de campo. Hoje teria apenas 0,8% da cobertura florestal original e 0,2% de campo. ''A floresta está ameaçada de extinção. Não apenas a fauna, os animais existentes dentro dela'', alertou.
As unidades de conservação foram escolhidas depois de um trabalho de 47 dias de pesquisa realizado por uma força-tarefa que reuniu especialistas de vários setores. O percurso percorrido foi de 41,3 mil hectares de terra no Paraná e em Santa Catarina.
O coordenador da força-tarefa e integrante do Ministério do Meio Ambiente, Maurício Sávia, disse que este foi um dos maiores trabalhos já realizados no Brasil. ''Não queremos um museu ecológico de museus e plantas. Queremos criar matrizes seguras de biodiversidade, protegidas e fortes. Temos as araucárias mais ricas em genética da história e temos que preservá-las para que elas possam efetivamente sair da lista de extinção'', disse ele.
Uma das unidades que podem ser criadas no Paraná é o Parque Nacional dos Campos Gerais, que preservaria cachoeiras, 23 sítios arqueológicos com pinturas rupestres, banco genético de araucárias, caminho dos tropeiros, formações geológicas e espécies animais em extinção.
A criação das áreas enfrenta resistência de agricultores das regiões elencadas pelo governo federal. Eles alegam que serão penalizados por terem preservado as áreas e advertem para o desemprego que será causado pela desapropriação das áreas. A batalha está na esfera judicial (ver texto ao lado).
Ontem, a comissão especial que estuda a regulamentação da gestão de florestas públicas debateu as 20 mudanças propostas pelo deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS). A maior parte dá a adminstração de florestas e parques criados a empresas constituídas sob as leis brasileiras, com sede no Brasil. O intuito é evitar que empresas estrangeiras sejam responsáveis pela conservação das reservas ambientais do País.(L.P.)





