Situação é consequência da pobreza
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de maio de 2002
Elaine Cotta<br>Agência Folha 
São Paulo - A pobreza é o fator que mais pesa na decisão de manter uma criança na escola ou colocá-la no mercado de trabalho. Segundo dados divulgados ontem pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), o trabalho infantil é uma consequência da pobreza e só será erradicado quando outras questões sociais forem solucionadas.
Normalmente, as crianças trabalham para aumentar a renda da casa e reduzir o nível de pobreza da família. A questão é que o trabalho infantil perpetua essa situação de pobreza, alerta o coordenador nacional do IPC (Programa Internacional para Eliminação do Trabalho Infantil), Pedro Américo Oliveira.
O diretor da OIT (Organização Internacional do Trabalho) no Brasil, Armand Pereira, ressalta ainda que essa situação se torna um ciclo vicioso, já que a criança que trabalha não estuda e por isso terá problemas no mercado de trabalho quando se tornar um adulto.
Criança que trabalha vai ser jovem sem preparo e adulto sem vaga no mercado de trabalho. O trabalho infantil faz parte desse ciclo vicioso que leva ao aumento da pobreza, disse Armand Pereira.
Oliveira ressalta que, em muitos casos, as crianças tiram o emprego de um adulto, principalmente em atividades que normalmente são muito mal remuneradas. Os dados da OIT destacam que, se considerado o total de trabalhadores infantis (6,648 milhões em 1999), mais de 50% têm entre 5 e 11 anos de idade. Dentro desse universo, 60% não recebem remuneração.


