Curitiba- O adolescente de 15 anos que foi agredido e teve 50% do corpo queimado por policiais militares no dia 19 de janeiro está sob proteção da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), órgão vinculado ao Ministério Público (MP) estadual. Ninguém entra no setor de queimados, onde ele está alojado, sem a permissão do MP. A intenção é evitar que pessoas mal intencionadas entrem no quarto para ameaçar o garoto, que está muito amedrontado e pede para ser liberado a todo o instante.
Ontem, representantes do Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH) visitaram o menino e saíram assustados do quarto. O adolescente está com o organismo muito debilitado e seu corpo começou a ser reconstituído através de cirurgias plásticas, principalmente na região das costas, pernas e dorso. Ele ainda tem risco de morrer, já que qualquer bactéria pode ser fatal para o atual quadro clínico dele. O que mais impressionou o secretário de Estado de Assuntos Estratégicos do Estado, Nizan Pereira, que faz parte do conselho, foi o fato do menino ser pobre e negro. ''Ele não tinha qualquer estrutura familiar. Vivia nas ruas com o irmão, que também está sob proteção do MP. Fiz plantão no IML por vários anos e poucas vezes me sensibilizei como agora. O menino está em pânico'', disse.
A previsão é a de que em cinco meses, ele seja liberado. Até lá, a investigação estará concluída. Mas se depender do conselho, a conclusão do caso será feita em poucos dias. ''Está começando agora um novo tempo. As diferenças e as desigualdades devem ser respeitadas. Atos de vandalismo e barbárie serão repudiados. Um ato de violência como este tem que ser esclarecido rapidamente e as pessoas precisam ser exemplarmente punidas'', disse o juiz Vicente Misurelli, substituto em segundo grau do Tribunal de Justiça, também integrante da comissão.
Para segunda-feira, o conselho pretende fazer reuniões com as polícias Militar e Civil, e com integrantes da PIC. ''Vamos acompanhar as investigações. Queremos lisura'', disse o advogado Luis Nascimento, da Pastoral Carcerária e integrante da comissão de direitos humanos. Cinco PMs foram afastados dos cargos por estarem de serviço no Posto da Polícia Militar do Largo da Ordem, onde o crime teria acontecido. Eles estão trabalhando internamente no 12º Batalhão de Polícia Militar (PM) até o final das investigações.

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