Situação de bancos é tranquila, diz analista do Deutsche Bank
São Paulo, 21 (AE) - A situação do sistema financeiro do Brasil é muito tranquila, na opinião do analista do setor do Deutsche Bank, Celso Boin. Ele diz que a tranquilidade é garantida pelo fato de que entre 70% e 80% do sistema estão em mãos de oito instituições fortes - Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú, Unibanco, Banespa, HSBC Bamerindus e ABN Amro-Real. Estas grandes instituições não correm qualquer risco em decorrência da desvalorização. "Estão todas muito capitalizadas, nenhuma delas quebra, o que garante a estabilidade do sistema", afirma Boin.
Os rumores de insolvência que circulam no mercado, ressalta o analista, só envolvem bancos muito pequenos, cujo desaparecimento, na sua opinião, ao contrário de representar um risco para o sistema, poderia até ajudar no saneamento do setor. Ele admite, no entanto, que haverá queda na lucratividade dos bancos, mas para patamares que ainda ficam acima dos da América Latina. "A rentabilidade cai de 20% para 15% a 14% no Brasil, enquanto na América Latina a média está na faixa de 10%." Segundo o analista, os bancos brasileiros, ao contrário dos do México, Rússia e Coréia, já haviam feito a "limpeza da casa" - que incluiu o Proer - antes da desvalorização e estão muito mais bem posicionados. Além disso, diz, o sistema financeiro nestes países era incomparavelmente mais frágil. "Na Coréia, todas as instituições quebraram, na Rússia o sistema não existia, enquanto o México ainda tenta solucionar o problema dos bancos", afirma.





