A situação caótica do sistema carcerário de São Paulo que vem sendo pesquisada pela Human Rights Watch desde o começo do ano será denunciada ao comitê de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) e à comissão interamericana de direitos humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Distritos policiais, cadeias públicas, casas de detenção, penitenciárias e o complexo do Carandiru vem sendo visitados. ‘‘Estamos encontrando um quadro triste, desolador, de abandono, com a sociedade e os políticos não se importando com a reincidência dos presos’’, afirmou James Cavallaro, da Divisão das Américas.
Na próxima semana chega a São Paulo, Joanne Mariner,
diretora da Divisão de Direitos dos Presidiários, da Human Rigths Watch, para coordenar a pesquisa com Cavallaro. ‘‘Além da superlotação, da falta de médicos, das celas sujas, imundas, encontramos nos distritos e cadeias a lentidão nas aplicações dos benefícios da pena. ‘‘Os detentos também reclamaram da falta de trabalho, e todos sabemos que sem ocupação não há reabilitação’’, afirmou Cavallaro.
Sobre o mutirão a ser realizado a partir de 7 de novembro, Cavallaro explicou que vai esperar para ver se a promessa será cumprida. O deputado Wagner Lino (PT), relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que apurou no ano passado a situação ‘‘calamitosa’’ da Casa de Detenção, está fazendo um levantamento das condições dos presídios, cadeias e distritos ocupados por mulheres. Segundo o deputado, o problema é o mesmo dos presídios masculinos com mais uma agravante: a falta da visita íntima que é proibida. (R.L.)

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