Brasília, DF - A situação crítica das rodovias brasileiras já está ameaçando a retomada do crescimento econômico, segundo avaliação da Confederação Nacional dos Transportes (CNT). ''O Brasil não tem condições de crescer 4% ou 5% ao ano com a infra-estrutura que temos'', disse o vice-governador de Minas Gerais, Clésio Andrade (PL), presidente da CNT.
No Brasil, de acordo com a entidade, 60,5% das cargas e 96,6% dos passageiros são transportados pelas estradas. A situação precária das rodovias aumenta o custo Brasil em aproximadamente 30%, segundo a CNT.
A pesquisa anual divulgada ontem mostra que 74,7% dos 74.681 quilômetros de trechos pesquisados estão deficientes, ruins ou péssimos. A situação é pior nas rodovias sob administração federal ou estadual, onde esse percentual chega a 83% dos trechos pesquisados.
O resultado mostra pequena piora em relação ao ano passado, quando 74% dos trechos pesquisados estavam deficientes, ruins ou péssimos. Em 2003, 82,8% dos trechos sob administração federal ou estadual estavam classificados como deficientes, ruins ou péssimos.
A pesquisa da CNT é feita desde 1995 e sempre aponta uma situação ruim nas estradas. ''Nós entregamos os pontos, não adianta mais fazer críticas'', disse o presidente da CNT. ''Essa situação vai travar, e já está travando, o crescimento econômico do país'', avalia.
Para ele, as obras que o governo vem fazendo não adiantam. ''O governo está fazendo operação tapa-buraco. Depois da primeira chuva, a estrada volta a ficar ruim'', disse. Segundo ele, as estradas precisariam ser refeitas.
Apesar das críticas, Andrade disse que enxerga ''uma luz no fim do túnel'', porque, segundo ele, o orçamento do Ministério dos Transportes para o ano que vem será aproximadamente duas vezes maior do que o deste ano.
As rodovias que foram concedidas para a iniciativa privada estão em melhor estado do que as administradas por governos. Nas rodovias concedidas, uma empresa privada faz a manutenção, cobrando ou não pedágio. Todos os dez melhores trechos de rodovias pesquisados pela CNT estão sob responsabilidade do setor privado e passam pelo Estado de São Paulo.
Os dez piores trechos estão sob administração dos governos federal e estaduais. A maior parte deles está nas regiões Norte e Nordeste.

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