Site será denunciado por incentivar ódio a homossexuais
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segunda-feira, 05 de julho de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis (ABGLT) deve denunciar hoje ao Conselho Nacional Contra a Discriminação, vinculado à Secretaria Especial de Direitos Humanos do governo federal, um site de skinheads, ou carecas, de Curitiba por incentivo ao ódio a homossexuais. O site traz frases como ''em nome de um sociedade melhor: gay, procure um tratamento clínico e liberte-se desse mal'' e dizendo que a homossexualidade serve para propagar doenças e que é um desvio psíquico.
''Vemos o conteúdo como incentivo à discriminação, à criminalidade contra os homossexuais. Eles dizem que não são nazistas, mas falam da homossexualidade como Hitler falava dos judeus'', afirmou o presidente da ABGLT, Toni Reis. Para ele, esse tipo de conteúdo é um incentivo à homofobia, que muitas vezes culmina em atos violentos. Na denúncia feita pela ABGLT, deve constar um site de Alagoas, que possui o mesmo conteúdo.
Apesar de discriminatório, os carecas deixam claro no texto que ''não combatem o indivíduo homossexual, mas sim o homossexualismo e sua propaganda''. O site dos carecas contém também textos anticomunismo, antipunks, combatendo a promiscuidade, anti-separatismo, de apologia ao nacionalismo. A maior parte do conteúdo ainda não está disponível. A página, que possui apenas um endereço de e-mail para contato e nenhuma assinatura, tem fotos de carecas, mas todas com o rosto apagado.
O delegado na área de informática da Polícia Civil no Paraná, Eduardo Marcelo Castella, diz que a pessoa que se sentir ofendida com o conteúdo de qualquer publicação pode ir até um delegacia registrar um ocorrência. Além disso, mesmo com o autor desconhecido, é possível entrar com uma ação judicial e daí se o juiz entender que deve, pode pedir uma investigação para descobrir a origem do site junto ao servidor que o hospeda.
Porém, é justamente no servidor que as investigações desse tipo de caso costuma emperrar, lembra o secretário executivo do conselho, Evair Augusto Alves dos Santos. ''A maioria desses sites se hospeda em servidores dos Estados Unidos (EUA). E lá a legislação prevê garantia de livre expressão. Daí não é possível fazer nada'', explicou.
A grande preocupação das entidades que defendem os direitos dos homossexuais é a violência que esse tipo de atitude pode gerar. Segundo Reis, no último mês houve registro de cinco casos de agressões a homossexuais sem razão. Um deles é do barman Nick, que preferiu não indentificar. Ele trabalha em uma boate gay e quando estava saindo foi abordado por cinco homens em um carro que o espancaram sem motivo aparente. ''Fui salvo porque alguns amigos da boate viram e vieram me socorrer'', contou.


