Rio, 19 (AE) - Navegar pela Internet deixou de ser um prazer e transformou-se numa atração perigosa para a adolescente J., de 14 anos, desde que conheceu em outubro do ano passado através de bate-papos, sem compromisso, um pedófilo. O desconhecido fez juras de amor à jovem e prometeu levá-la ao exterior, após conversas on-line com sinais de intimidade. Esse é uma das centenas de denúncias recebidas diariamente pelo Centro Brasileiro de Defesa da Criança e do Adolescente (CBDA), em seu site na Internet, criado há pouco tempo para ajudar famílias vítimas de pedófilos.
De acordo com a coordenadora do CBDA, a advogada Cristina Leonardo, de cinco à dez casos são registrados por dia, cujas vítimas são crianças e adolescentes - meninos e meninas - com faixa etária entre nove e 17 anos. "O universo on-line atrai os jovens, mas o perigo está nos aliciadores que entram na rede com o objetivo de prostituir e sequestrar". Criado em abril deste ano, a página já recebeu mais de cem denúncias de pais, psicólogos, empresários, advogados, professores que relatam casos pessoais e outros ocorridos com amigos e parentes.
Cristina explica que, além de colher denúncia, o site foi também criado com o objetivo de ajudar no rastreamento e na identificação de criminosos - os aliciadores. Segundo ela, os relatos são analisados por técnicos ligados à Polícia Federal e depois encaminhados ao Departamento de Crimes por Computador do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, em Brasília, para investigação.
O caso de J. foi denunciado ao CBDA pela própria mãe , uma jornalista que prefere não ser identificada para preservar a sua vida profissional e pessoal. Ela foi avisada pela filha que viajaria para a Bélgica com um homem que conheceu através da Internet. "Fiquei desesperada com a notícia, pois tinha certeza que minha filha estava sendo vítima de um aliciamento", frisou a jornalista.
Envolvida pelo aliciador, a jovem começou a apresentar baixo rendimento na escolar e sinais de agressividade. "Ela não queria conversar com ninguém e dizia que havia conhecido alguém atraente que a levaria para o exteriror na Internet. Além de conversas íntimas on-line, o aliciador enviava presentes - como bichos de pelúcia, CDs, cartas e cartões - para a jovem. Para salvar a filha, a jornalista decidiu interceptar as cartas, proibir que a jovem navegasse pela rede e avisou ao aliciador que ele seria denunciado à polícia. Com medo, o criminoso desapareceu.

mockup