Site anuncia venda de terra na Amazônia
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de março de 2005
Agência Estado 
Brasília - O site resourcesbrazil.com está anunciando pela internet, a partir dos Estados Unidos, a venda de áreas na Amazônia brasileira a R$ 60 o hectare, em média. Uma das áreas oferecidas, de quase um milhão de hectares, fica no município de Rurópolis, a 500 quilômetros de Belém e próximo a Anapu, onde foi assassinada, em 12 de fevereiro, a missionária Dorothy Stang. A Polícia Federal está rastreando o site para verificar sua origem e a partir daí identificar os autores do suposto negócio ilegal.
Escrito em inglês, com ícones para tradução em espanhol e português, o anúncio promete áreas com escritura, perfeitas para projetos florestais sustentáveis e começa com uma pergunta intrigante: Looking for cheap timberlands? (procurando por terras madeireiras baratas?). A seguir, garante que investimentos em florestas proporcionam alta taxa de lucro, acompanhada por alto grau de segurança, condições não encontradas em nenhum outro investimento financeiro ou não-financeiro.
O rastreamento vai definir se se trata de um trote ou de uma nova quadrilha de grilagem internacional atuando na Amazônia, segundo explicou o delegado regional da Polícia Federal no Pará, Raimundo Freitas. Temos equipamentos e métodos de inteligência para descobrir rapidamente os responsáveis pelo anúncio e seus reais objetivos, disse.
O anúncio diz que o objetivo do grupo é promover o desenvolvimento sustentável da Amazônia, mediante a exploração seletiva de madeira na faixa de apenas 20% da floresta permitida em lei. Diz também ser contra as queimadas. Cita ainda que centenas de fazendeiros americanos e empresários estrangeiros, inclusive europeus e asiáticos, estão na região, conhecida como Terra do Meio, por acreditarem que é seguro investir em terras produtoras de madeira no Brasil.
Entre os grandes grupos internacionais presentes no negócio da exploração florestal brasileira, segundo o anúncio, estariam o Japanese Corps, David Rockfeller, Donald Trump, Monsanto, Bunge e Cargill. O apelo mais sedutor depois do lucro fácil e seguro, citado no anúncio, diz que a região das terras oferecidas, vizinhas a Anapu, não tem furacões, terremotos, enchentes, vulcões ou terrorismo, além de uma inesgotável quantidade de água doce. A seguir comete um exagero ao dizer que a região tem também ar fresco e comida limpa.
Na verdade, a área anunciada é marcada pelo excesso de calor de mais de 30 graus na maior parte do ano, combinado com umidade. O anúncio não cita os mosquitos transmissores de doença, o ambiente hostil de selva nem os atoleiros. O site fala ainda em quantidades desconhecidas de quedas dágua e infinitas praias douradas. Na realidade, os rios correm em região plana e as cachoeiras são raras.
Há dois anos, a PF fez uma ampla investigação sobre o comércio ilegal de áreas da floresta amazônica. Um casal de americanos e um brasileiro foram presos. Outras pessoas e empresas foram processadas nos meses seguintes e, desde então, esse tipo de comércio havia sumido da internet. O desmonte das quadrilhas internacional especializadas em vender terras na Amazônia foi desencadeado em 2001, após a divulgação, no Congresso Nacional, do relatório da CPI da grilagem de terras.


