Os presos da unidade 2 da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2) se renderam na manhã de ontem após 24 horas de rebelião e uma madrugada tensa, marcada pela violência contra reféns e fuga do presídio. O motim chegou ao fim depois que os rebelados apresentaram uma carta com reivindicações durante a negociação que contou com a participação de três detentos e representantes do comando da Polícia Militar (PM) e do Departamento de Execução Penal (Depen). Por volta das 10h30, os presos desocuparam os telhados e acenaram em direção das mulheres e familiares, que acompanhavam a rebelião do lado de fora.
Três presos ficaram feridos, entre eles, um detento não identificado que foi lançado pelos rebelados do telhado durante a madrugada. Ele foi encaminhado pelos socorristas para o Hospital Universitário (HU). Segundo informações da assessoria do hospital, o preso teve traumatismo craniano e chegou a sofrer uma parada cardíaca por volta das 13 horas de ontem, mas foi reanimado pelos médicos. Até o final da tarde de ontem, ele permanecia sedado e o estado era gravíssimo. Outros dois presos, Rodrigo Soares, de 30 anos, e Júlio César de Jesus, de 22 anos, que pularam das galerias, sofreram lesões na região lombar e permaneciam internados fora de risco.
O motim teve início na galeria 21 e em menos de 15 minutos, os presos abriram celas, invadiram galerias e subiram para o telhado da penitenciária, onde exibiram faixas com a sigla "PCC", da facção do Primeiro Comando da Capital. Cerca de 30 agentes penitenciários e funcionários conseguiram sair do local e nenhum servidor foi feito refém.
Segundo o capitão do 5º Batalhão da PM, Marcos Tordoro, os presos solicitaram melhorias na alimentação, no convívio com agentes penitenciários e apresentaram queixas contra a direção da unidade, por meio da carta de reivindicações. Ele também informou que dois detentos fugiram da PEL durante a madrugada e um terceiro preso foi recapturado pelos policiais que faziam a ronda no local. "Ainda não temos a quantidade de pessoas que está lá dentro. Precisamos fazer a conferência de quantos presos tinham e quantos estão na penitenciária após a rebelião. Além disso, o trabalho de rescaldo é necessário para verificar os danos no patrimônio causados pelos incêndios", comentou.
De acordo com Tordoro, o balanço sobre os estragos provocados pelos detentos no interior da unidade também é importante para avaliar se a PEL 2 ainda tem capacidade para abrigar os mais de 1,1 mil presos ou se transferências serão realizadas. Antes do fim da rebelião, a PM confirmou que havia dez detentos reféns, a maioria do "seguro", área de isolamento de condenados por crimes sexuais.

TUMULTO

Após o fim do motim, um preso tentou pular os muros da unidade e foi contido pelos policiais com tiros de borracha. Siate e Samu também foram acionados para acompanhar a entrada do pelotão de Choque na PEL 2 e realizar o atendimento imediato dos feridos. O Corpo de Bombeiros informou que seis presos foram encaminhados com ferimentos leves para hospitais da cidade. Os motoristas das ambulâncias enfrentaram dificuldades para deixar o local por causa da presença de parentes dos presos, que bloqueavam a rodovia João Alves Rocha Loures, na tentativa de abrir as viaturas em busca de informações sobre os familiares feridos. A multidão foi contida pelos policiais, que controlavam a entrada e saída de veículos nos arredores da penitenciária.
A coordenadora do grupo de trabalho de execução penal da Defensoria Pública do Paraná, Renata Tsukada, conversou com as esposas e companheiras dos presos na tentativa de acalmar os ânimos. Ela explicou que a presença da defensoria foi solicitada pelos rebelados para garantir a integridade física dos detentos. "Sempre existe reclamações, principalmente por questões de higiene, horários de visitas e outras queixas. A situação se agrava ainda mais pela falta de agentes nas carceragens e pela falta de investimentos do Estado no sistema penitenciário", disse. Ela também adiantou que uma comissão será organizada para acompanhar os presos após o motim. "Nosso trabalho começa quando a rebelião termina", resumiu. (Colaborou Celso Felizardo)

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