Sistema monitora raios e tempestades
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quarta-feira, 10 de março de 2004
Agência Estado 
Rio- Um sistema de informação que monitora a incidência de raios em quase todo o País foi lançado ontem, no Rio. A Rede Integrada Nacional de Detecção de Descargas Atmosféricas (Rindat) oferece na internet informações como a trajetória de tempestades e a localização e a intensidade de descargas atmosféricas, responsáveis por danos à rede elétrica, prejuízos materiais e até pela morte de pessoas.
Cerca de 100 brasileiros morrem todos os anos vítimas de raios. Com 25 sensores em dois terços do território nacional, a rede é a terceira maior do gênero no mundo. Só perde para as dos Estados Unidos e do Canadá.
O Brasil é o País com maior índice de raios do mundo. De acordo com Osmar Pinto, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que participa do projeto, são cerca de 60 milhões de raios por ano. Uma pesquisa da instituição estimou em R$ 500 milhões o prejuízo anual causado por eles.
''Os Estados Unidos investem há anos nessa tecnologia, mas mesmo assim têm um prejuízo anual de US$ 1 bilhão. Nós temos o dobro da incidência de raios deles. Se não acompanharmos o crescimento do País com iniciativas como esta, os prejuízos do Brasil serão ainda maiores nos próximos anos'', disse o pesquisador durante a solenidade de lançamento, na sede de Furnas no Rio.
O sistema nasceu de um convênio firmado entre as geradoras de energia elétrica Furnas e Cemig e o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) em 1998, que permitiu a integração dos sistemas de detecção de raios operados pelos parceiros. Com a entrada do Inpe no ano passado, os técnicos passaram a ter um sistema nacional. As informações estão disponíveis no site www.rindat.com.br.
''Além de divulgar as informações para o setor elétrico, o serviço também beneficiará meteorologistas, pesquisadores e principalmente a Defesa Civil dos municípios, pois as informações ajudam a identificar a intensidade das tempestades. Estudos mostram que existe uma relação entre raios e a quantidade de chuva, podendo ajudar a detectar o risco de granizo ou ventos fortes'', explica Cesar Benetti, meteorologista do Simepar.
Os 25 sensores concentrados nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste captam a radiação emitida pelas descargas e enviam a localização para uma central que processa a informação. O sistema opera com tecnologia GPS e a precisão da localização dos raios é de, em média, 500 metros. A perspectiva do sistema é ter instalados outros trinta sensores no País até 2005.


