Curitiba - A grande novidade no tratamento da menorragia, segundo o professor Carlos Petta, do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade de Campinas (Unicamp), é o uso do sistema intra-uterino (SIU). Aprovado pelo Ministério da Saúde há cinco anos como método contraceptivo, o sistema vem sendo usado como forma de tratar a menorragia.
Chamado comercialmente de ''mirena'', trata-se de um dispositivo intra-uterino (DIU) em forma de T que libera diariamente mínimas doses de levonorgestrel - hormônio similar à progesterona produzida pelos ovários - diretamente dentro no útero, reduzindo a ocorrência de efeitos colaterais sistêmicos. O produto é um método contraceptivo reversível e de ação prolongada (até 5 anos). Por isso, é indicado para as mulheres que já são mães e não desejam engravidar por um longo período. A fertilidade é restabelecida logo após a sua retirada.
Pesquisa coordenada por Petta com 44 mulheres mostrou que após um ano de tratamento com o SIU, 75% das pacientes optaram por continuar com o método, sem problemas de sangramento. De acordo com ele, o uso do mirena reduz o fluxo entre 60% a 70%, e muitas mulheres até mesmo param de sangrar com seu uso. Para ele, o SIU pode ser uma alternativa para evitar a histerectomia, uma cirurgia que possui riscos e torna a mulher estéril. Por ser um tratamento menos invasivo, não requer anestesia e a paciente pode exercer suas atividades de rotina normalmente.
O mirena também já é usado, em alguns países, no tratamento da endometriose. Trata-se de uma doença ginecológica, na qual o endométrio - uma camada de tecido que se forma a cada menstrução dentro do útero - forma-se do lado de fora do útero. A causas da doença, que afeta cerca de 10% das mulheres, ainda são desconhecidas, mas um dos seus efeitos é a dor intensa durante o período menstrual. Nesse caso, o uso do mirena impede a formação do endométrio.
Atualmente a mirena está presente em mais de 110 países e o uso do produto para o tratamento da menorragia é aprovado em 98 países. No Brasil, o produto é aprovado pelo Ministério da Saúde para a contracepção, menorragia e terapia de reposição hormonal na perimenopausa (neste caso com o uso combinado de estrogênio). (M.G.)

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