São Paulo, 13 (AE) - As medidas que a Prefeitura vem adotando para tentar reduzir os problemas do transporte público municipal não trarão mudanças significativas para a vida dos passageiros. Em entrevista, o secretário Getúlio Hanashiro disse que a criação de 100 quilômetros de faixas exclusivas ou preferenciais para os ônibus até o fim do ano não vai melhorar significativamente o sistema. A solução, segundo ele, é a criação de corredores, projeto que depende da liberação de recursos do BNDES. O governo estadual também tem de fazer seu papel, na avaliação de Hanashiro, para que a cidade tenha um transporte de mais qualidade. O secretário acredita que a situação do sistema de transportes só vai melhorar quando o País voltar a crescer. Pergunta - Quando o cidadão vai poder pegar um ônibus com tranquilidade, sem ter de se preocupar com a frequência entre os carros e com a lotação, por exemplo? Getúlio Hanashiro - A grande reclamação é a fluidez. No ponto de vista do congestionamento, as peruas tem uma vantagem relativa porque não têm itinerário definido e porque seu tamanho é menor. Para resolver essa questão, que é a mais importante para a qualidade do serviço, nós estamos criando faixas e corredores exclusivos. Até o fim do ano, estaremos criando 100 quilômetros entre faixas exclusivas, faixas reversíveis e faixas nos horários de pico. Nós já temos 50 quilômetros e vamos ter mais 50 quilômetros. Essas faixas tem custo praticamente zero. A grande solução, porém, é o projeto de corredores, que depende, em grande parte, de recursos do BNDES. Pergunta - A secretaria aposta nessas medidas? Hanashiro - A população vai ver uma melhoria que não é significativa com a criação das faixas. É uma medida para eu evitar que o sistema se deteriore ainda mais. O básico está em você ter uma rede estrutural de metrô, de ferrovias, de sistemas de média capacidade (como fura-fila e os corredores) os ônibus e as peruas. O que falta é recurso. A situação do transporte público em São Paulo é a mesma que vive o País. Você só tem condições de aumentar a rede de metrô, a rede ferroviária e até mesmo a rede de média capacidade se o País crescer. (A.P.)

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