Sistema de proteção adequado contra raio evitaria blecaute, diz engenheiro
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domingo, 14 de março de 1999
Por Denise Ramiro 
São Paulo, 15 (AE) - O blecaute ocorrido quinta-feira poderia ter sido evitado, na opinião do engenheiro Arnaldo Lambertini Turtelli, sócio-diretor da Ideal Engenharia Indústria e Comércio Ltda. A empresa é especializada na comercialização de sistemas contra produção de descargas atmosféricas. Segundo ele, o raio que atingiu a subestação da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), em Bauru, não teria caído no local se houvesse um sistema dissipativo de cargas elétricas. Ao contrário do sistema convencional, usado na subestação de Bauru, o dissipativo afasta o raio do local e tem eficácia de 99%. O preço de instalação de um sistema como esse está em torno de US$ 20 a US$ 30 mil, ou seja, é cerca de 30% a 40% mais caro do que o sistema convencional. Para Turtelli, as empresas, principalmente as estatais, não têm interesse em usar o sistema preventivo porque "os prejuízos são pagos pelo governo". Ele lembra um acidente ocorrido há cinco anos na Refinaria de Paulínia, em São Paulo, quando um raio atingiu um tanque de óleo diesel, causando prejuízo de US$ 3 milhões. Isso poderia ter sido evitado, disse, com a instalação do sistema por um custo aproximado de US$ 5 mil por barril. "Mas até hoje a Petrobrás não tomou qualquer providência", conta.
De acordo com Turtelli, o sistema é comercializado há cinco anos no País e desde a década de 70 nos EUA, onde foi desenvolvido por um engenheiro que trabalhou em projetos da Nasa. Algumas empresas já adotaram o sistema no País, como a IBM
Shell e Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão. "Se uma pessoa no Brasil é atingida por um raio, ela é simplesmente enterrada e ponto final. Nos países desenvolvidos, se alguém for atingido por um raio em local público a responsabilidade pelo acidente é do administrador do local, que será penalizado com pesadas indenizações".


