Washington, 27 (AE) - O sistema de metas de inflação (inflation targeting) que o Brasil adotou em julho desperta o interesse de outros países emergentes, como a áfrica do Sul e a Colômbia, além dos outros que também o estão adotando - como o Chile, México e Israel. Intensas discussões sobre o sistema estão ocorrendo nos últimos meses. A revelação foi feita pelo presidente do Banco Central, Armínio Fraga, em entrevista hoje na sede do FMI, em Washington.
"A avaliação da adoção do sistema no Brasil, embora recente, é boa", declarou Fraga. São três as razões disso: aumento da transparência na atuação do Banco Central, cujas discussões no Copom são divulgadas com somente duas semanas de atraso; divulgação dos relatórios de inflação, inclusive em inglês; convergência entre os índices estimados pelo governo e aqueles estimados por mais de 30 departamentos de pesquisa privada, de elevado nível. "Todos convergem para a expectativa de alcançar uma inflação de 6% em 2000", observou o presidente do Banco Central. "Ainda não há espaço para euforia, porém", observou.
A avaliação das metas de inflação permite que o País adote uma política de juros compatível com os objetivos fixados. Não há nenhum impedimento em elevar os juros, se isto for essencial, admitiu o presidente do Banco Central. Fraga reafirmou que a taxa de câmbio não preocupa o governo, "nem há metas para elas", a menos que o câmbio afete as expectativas de inflação.
Fraga confirmou que o País está estudando a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), "como um tema geral, no âmbito da reforma fiscal". Ele acrescentou que "há preocupações de ordem fiscal que dominam a agenda, como o PIS e a Cofins, além do IOF". Tributos adequados são indispensáveis no contexto da reforma do sistema bancário, acrescentou.
Na entrevista, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, afirmou que o aspecto mais importante relativo à criação do Grupo dos 20 (G-20), que deverá substituir o Comitê Interino do FMI, é que cada país falará no seu próprio nome, e não em nome de mais de duas dezenas de países, como chega a ocorrer hoje, em que 24 nações representam 183 países. "A reforma não é nova e o Brasil estaria de qualquer forma ao lado das principais nações em desenvolvimento, como a China e a Índia".

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