Rio, 5 (AE) - A adoção do sistema de metas de inflação, como o governo federal adotará a partir de junho, contribuiu para que países com inflação anual de dois dígitos - como deverá ser o caso do Brasil - reduzissem sua taxa, afirmou hoje o diretor de Assuntos de Política Econômica do Banco Central, Sérgio Werlang. O diretor coordenou, de segunda-feira até hoje, seminário sobre o novo sistema, segundo o qual o Ministério da Fazenda escolherá um índice de inflação a ser atingido por ano, e o BC será encarregado de usar seus instrumentos para alcançá-lo.
Werlang explicou que países com inflação "um pouco mais alta" usaram metas de inflação que não excluíam nenhuma variação de preços para reduzir as taxas, como no caso do Chile, Israel e México. Outros países, como a Nova Zelândia, expurgaram reajustes de preços de produtos cotados pelo mercado internacional, mas nestes, o objetivo do sistema era manter taxas já baixas.
No caso do Chile, em um espaço de sete anos, a inflação caiu de 20% ao ano para 7%, citou como exemplo o diretor. Mas ele lembrou que, ao contrário do Brasil, a economia chilena era indexada, o que explica a demora na redução.
Índice - O governo anuncia até sexta-feira se o índice que vai ser usado na nova política vai ser o Índice de Preços do Consumidor (IPC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) ou o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Depois da escolha, no final de junho, o Ministério da Fazenda vai divulgar quais serão as metas de inflação deste e dos próximos dois anos.
Werlang explicou que o BC poderá ter uma pequena margem de erro em relação à meta de inflação a ser obtida, como acontece na Inglaterra. Por isso, além da meta de inflação a ser obtida, o BC vai divulgar as medidas que tomará para alcançá-la e outros resultados prováveis desta política. "A distribuição de probabilidades vai ser mais aberta", avisou o diretor.
De acordo com ele, ainda não se pensa em estabelecer nenhuma lei com relação à nova política. A expectativa do BC é que, à medida que ela dê certo, seja aceita naturalmente pela população.

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