Campinas, SP, 17 (AE) - Um dos tipos de pirataria dos anos 90 - a clonagem de telefones celulares - pode estar com seus dias contados. Uma equipe de 12 pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC - (http://www.ufsc.br) desenvolveu um sistema de monitoramento de ligações, capaz de lançar alertas e evitar prejuízos para os proprietários de telefones e companhias telefônicas.
A clonagem é feita por fraudadores através de equipamentos capazes de registrar a frequência de operação de um celular, num raio de 100 metros de distância. O fraudador fica próximo a um shopping center, por exemplo, e obtém diversas frequências de aparelhos habilitados. Depois, as transfere para celulares ainda sem habilitação e passa a fazer ligações de qualquer lugar, sem necessidade de estar próximo do telefone clonado. As ligações, em geral, são internacionais e a conta vai para o proprietário do telefone clonado, que não percebe nada em seu aparelho. A fraude também tem sido um recurso utilizado por traficantes de drogas, de armas e redes de pedofilia.
Com o sistema desenvolvido no Laboratório de Redes e Gerência - LRG - (http://lrg.ufsc.br) da UFSC, a fraude pode ser detectada na primeira ligação e o proprietário do telefone clonado é avisado em questão de 10 minutos, podendo bloquear as ligações e mudar sua frequência. "O Sistema Distribuído de Gerência de Segurança Contra Telefones Celulares Clonados consiste em comparar cada chamada de um determinado usuário com seu histórico de utilização do aparelho. Assim, o surgimento de uma ligação internacional longa, na conta de um usuário habituado a fazer apenas ligações locais curtas, é considerado indício de uma possível fraude. A suspeita dispara uma mensagem imediata, evitando o abuso", explica a doutoranda Mirela Sechi Moretti Annoni Notare, do LRG. A companhia telefônica enviaria também um aviso por correio, para o caso do cliente não receber o aviso pelo próprio celular.
O processo depende de técnicas de inteligência artificial, com reconhecimento de padrões do tipo de ligação, localidades, horários e duração das ligações usuais do proprietário do celular clonado. O monitoramento se dá através de um programa de computador, que roda nas máquinas das companhias telefônicas, sem interferir nos serviços telefônicos normais. Os computadores das diversas centrais regionais são chamados agentes e cada vez que uma ligação suspeita é detectada, eles enviam os dados para um computador central, o gerente. A montagem do sistema depende das companhias telefônicas, que instalariam apenas o programa, sem necessidade de máquinas exclusivas nem de operadores. Os alertas automáticos seriam um serviço a mais para os clientes.
"O reconhecimento dos padrões apresenta 4% de erro, um índice muito bom, se comparado aos sistemas de detecção hoje disponíveis, que ficam em torno de 6%. Mas esperamos diminuir ainda mais esse índice", informa Mirela.
O novo sistema já despertou o interesse da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT), que está repassando informações aos pesquisadores, para melhor adaptação à realidade da telefonia gaúcha. Outras companhias devem se interessar também, já que as estimativas apontam para uma perda equivalente a 2% do faturamento das empresas de telecomunicações do País, devido à clonagem de celulares. Só até 1997, a antiga Telesp já havia perdido US$ 18 milhões em fraudes.
Participam da equipe, professores do Departamento de Informática e de Estatística, pós-graduandos e graduandos de Ciência da Computação, alguns dos quais são bolsistas do Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq - (http://www.cnpq.br), dentro do Projeto Autogere. O custeio do projeto - de R$ 43.700 - ainda não foi repassado ao laboratório, mas o sistema desenvolvido já é um dos 13 trabalhos brasileiros classificados para o prêmio Sucesu-SP 98 de Tecnologia da Informação, a ser julgado em agosto próximo, durante a Condex 99.
Maiores informações com Mirela Notare, através do telefone (048) 331-9739 ou do endereço eletrônico [email protected].

mockup