Paris, 04 (AE) - O sistema concebido por Tatiana Dyachenko, a filha mais nova de Boris Yeltsin, com alguns banqueiros e conselheiros do antigo presidente russo, permitiu a saída ilegal do país de mais de US$ 300 milhões, revelou em Paris o antigo diplomata soviético, hoje escritor, Wladimir Federovski. O autor do livro "As Csarinas", que trata das mulheres que influenciaram a Rússia, desde Catarina I a Tatiana, que Vladimir Putin afastou das funções de conselheira do presidente tão logo chegou ao poder, está convencido que com esse gesto o novo presidente mostrou que pretende distanciar-se do poder anterior.
Apesar disso, afirma esse ativo diplomata da fase da perestroika, Putin continua refém dos serviços secretos russos que pela primeira vez, desde o século 18, tornaram-se independentes do poder político.
Ele considera que o sistema oligárquico concebido por Tatiana
juntamente com conselheiros como Boris Berezovski, Alexandre Volochine e Anatoli Chubais, acabou superando sua própria imaginação, tornando-se um poderoso instrumento de corrupção que ela não mais conseguia controlar. Segundo Federovski, Tatiana conseguiu garantir uma boa posição econômica possuindo, entre outras coisas, um castelo na Baviera, uma mansão em Cap DAntibes, na Côte DAzur e uma dacha na montanha Nicolino.
Mas isso não é nada se comparado com o desvio de fundos públicos, um sistema de falsas faturas para financiar campanhas eleitorais, até mesmo a próxima de Putin.
Isso explica a primeira decisão do novo presidente de garantir, por decreto assinado na sexta-feira, imunidade ao antigo presidente.
Putin, a seu ver, depende inteiramente desse sistema, mesmo já manifestando interesse em desvencilhar-se desse fardo. Até a eleição presidencial, Putin não fará nenhuma tentativa de enquadrar o clã Yeltsin, mas após o escrutínio, Federovski garante que os escândalos vão explodir, apesar dos compromissos assumidos. Se eleito presidente, Putin só conseguirá ter credibilidade suficiente para administrar o país se revogar esse decreto.
Por isso, ele está convencido que a Rússia, a partir de agora
está entrando numa fase de fortes turbulências, principalmente porque a guerra na Chechênia, deflagrada para ganhar a eleição, poderá, se demorar muito mais tempo, tornar-se num instrumento de derrota eleitoral.