Sistema completo de alerta só em 4 anos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Das agências 
Brasília - O governo federal vai implementar um sistema nacional de prevenção e alerta contra desastres naturais a partir de um cruzamento de dados meteorológicos e um mapeamento das áreas de risco do Brasil. O sistema completo, no entanto, só deverá estar em total funcionamento dentro de quatro anos. O País precisa, ainda, finalizar a identificação das áreas de risco e ampliar a cobertura de satélites, radares e equipamentos medidores de chuva.
Em reunião na manhã de ontem no Palácio do Planalto, em Brasília, a presidente Dilma Rousseff determinou aos ministros presentes - Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional), Nelson Jobim (Defesa), Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), José Eduardo Cardozo (Justiça), Alexandre Padilha (Saúde) e Helena Chagas (Secretaria de Comunicação da Presidência) - que melhorem a capacidade de resposta nacional aos desastres naturais.
De acordo com Mercadante, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) recebeu há um mês um novo supercomputador que permitirá a diminuição das áreas climáticas mapeadas dos atuais 20 quilômetros quadrados para cinco quilômetros quadrados. Também terá a capacidade de acelerar cálculos e previsões de níveis de chuva. No entanto, ainda não há o detalhamento das áreas de risco. Para isso, será preciso mais satélites, radares e pluviômetros, um equipamento que mede a quantidade de chuvas. A intenção é ter uma rede totalmente integrada de radares, incluindo os hoje usados exclusivamente pela aeronáutica.
O Brasil teria, atualmente, 300 áreas sujeitas a inundações e 500 com risco de deslizamentos onde moram 5 milhões de pessoas. Mas apenas Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina têm um detalhamento específico. Ainda assim, nenhum dos Estados brasileiros conta com um sistema, mesmo que rudimentar, de alerta antecipado. Segundo Mercadante, o ideal é que o sistema consiga avisar as pessoas nessas regiões com uma antecedência de pelo menos seis horas. ''Não acabaria com as perdas materiais, mas reduziria ou acabaríamos com as vítimas'', afirmou o ministro da Ciência e Tecnologia.
Ontem, seis dias depois da chuva que devastou cidades da região serrana do Rio, moradores de áreas isoladas estão enterrando parentes e amigos no quintal de casa. O número de mortos era de 655, até o fechamento desta edição.


