Sistema atual prejudica transportadores
Santos - Para o diretor-presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Moacyr Servilha Duarte, o Free Flow é a única maneira, hoje, de reduzir as tarifas de pedágio. "Com o Free Flow, a tarifa vai cair, evidentemente, porque algumas pessoas que hoje usam a rodovia sem pagar, passarão a pagar. Você vai ampliar a base de pagantes porque é muito mais justo", afirmou. Ele não arriscou índices de redução porque depende de um cálculo que envolve o número de usuários e a receita que essa quantidade de veículos precisa gerar para manter o sistema. Segundo Duarte,o desafio para implantar o Free Flow no Brasil não é o desenvolvimento tecnológico, pois o exemplo de São Paulo mostra que o sistema é possível. "A tecnologia não tem mais segredo. O desafio é quebrar a resistência do sujeito que usa a rodovia sem pagar e que vai passar a pagar. Ele vai pagar pouco, mas vai pagar", explicou.
Outro problema, conforme o diretor-presidente da ABCR, é quanto a segurança financeira, pois atualmente as praças de pedágio garantem o pagamento e, sem a barreira física, como assegurar que não haverá grande inadimplência? Na opinião de Duarte, o sistema atual de cobrança prejudica principalmente os transportadores de carga. "Eles percorrem uma distância maior, pagam pedágio e subsidiam os carros menores que não pagam", frisou. "Outro problema é o usuário local, que utiliza a rodovia como se fosse uma avenida. Se eu quero ir do centro da cidade para o bairro, eu tenho que ter uma via urbana municipal."
Pedro Luiz Donda, presidente da STP, que administra o Sem Parar, serviço de pagamento eletrônico de pedágios e estacionamentos, lembra que atualmente a praça de pedágio é um "mal necessário" porque garante o pagamento do uso da rodovia. Por isso, ele acredita que quando o Free Flow estiver implantado, será preciso uma fiscalização eficaz, assim como formas de punição dos inadimplentes ou fraudadores do sistema. Para o executivo, o crescimento da adesão do Sem Parar em todo o País mostra que a preferência do usuário é pelo sistema eletrônico de cobrança. No ano passado, o aumento foi de 17,4% e o número de usuários chega a 4 milhões no Brasil. Em São Paulo, 55% dos veículos que passam por uma praça de pedágio têm um tag da operadora, enquanto que no Paraná, o índice é de 50%, ambos acima da média brasileira, que fica em torno de 35%.(A.D.C.)





