Jerusalém, 19 (AE-ANSA) - O governo sírio pediu aos grupos radicais palestinos com base no país que suspendam sua luta armada contra Israel, porque Damasco pretende fazer a paz com o Estado judeu, afirmaram fontes nesta segunda-feira (19).
O chanceler sírio Faruk al-Sharaa declarou hoje que "em poucas semanas" seu país poderia conseguir um acordo de paz com Israel. De acordo com al-Sharaa, Damasco poderia convencer o Hizbollah a depor suas armas se Israelretirar seus soldados dos territórios sírio e libanês.
Segundo um integrante do governo, o vice-presidente Abdel-Halim Khaddam reuniu-se no início do mês com funcionários das facções de oposição que integram a Organização de Libertação da Palestina (OLP) "e disse-lhes que agora eles tinham de abandonar a luta armada, formar partidos políticos e trabalhar em questões sociais".
De acordo com a fonte, o pedido da Síria (que controla o Líbano) estendeu-se ao grupo guerrilheiro libanês Hizbollah. "Ele (Khaddam) foi franco: disse que a luta armada a partir da Síria e do Líbano está acabada e eles terão de confinar seu papel à política."
Um porta-voz da chamada "aliança palestina" (formada por oito grupos contrários ao acordo de paz palestino-israelense de 1993), Fadhl Sharouro, apressou-se em desmentir a versão: "Essa notícia é totalmente incorreta, a Síria não nos pediu que depuséssemos as armas." Ele admitiu que o encontro com Khaddam ocorreu mesmo, mas garantiu que foi uma reunião de rotina que "não abordou a luta militar". O Hizbollah também negou.
Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado, James Rubin, afirmou que, "se for verdadeira, a notícia é bem-vinda".
A frente rejeicionista palestina inclui facções marxistas, nacionalistas e integristas muçulmanas, como o Hamas, a Jihad Islâmica, a Frente Patriótica de Libertação da Palestina e a Frente Democrática de Libertação da Palestina.
O governo do presidente sírio, Hafez Assad, tem enviado sinais de que deseja retomar as negociações com Israel, suspensas há três anos, desde que o novo primeiro-ministro israelense Ehud Barak foi eleito, em maio. O trabalhista Barak já indicou estar disposto a devolver grande parte das Colinas do Golan (ocupadas por Israel em 1967) à Síria em troca da paz total.
A imprensa israelense divulgou outro sinal positivo de Damasco para a paz. Segundo o jornal Yedioth Ahronoth, Assad - o qual recebeu hoje o primeiro-ministro espanhol José María Aznar, que supostamente lhe levou uma mensagem de Barak - pretende mudar seu gabinete de governo para negociar com Israel. As pastas-chave ficariam a cargo de funcionários de sua total confiança. O atual chanceler, Faruk al-Sharaa, seria designado vice-presidente e chefe de governo, enquanto o embaixador nos Estados Unidos, Walid Mualem, ficaria com a chancelaria. Bashar, filho de Assad, ficaria à frente do Partido Baath e depois seria designado assessor direto do presidente.
Ainda hoje, em visita a Washington, Barak e Bill Clinton decidiram reunir-se a cada quatro meses para tentar completar acordos de paz com os árabes antes do fim do mandato do presidente norte-americano, daqui a 18 meses. Tropas israelenses na Cisjordânia já iniciaram os preparativos para desocupar mais uma parte do território, embora ainda não haja data definida para isso.

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