Síria insiste na devolução total do Golan
Washington, 14 (AE-AP) - Em uma significativa concessão, a Síria concordou em ter "relações amigáveis e de boa vizinhança" com Israel - incluindo fronteiras abertas, relações diplomáticas completas e acordos de comércio, turismo e transportes - caso dos dois países cheguem a um tratado de paz.
É o que revela um esboço de sete páginas redigido pelos Estados Unidos na semana passada, durante as negociações sírio-israelenses perto de Washington.
O texto - que mostra áreas de consenso e de disputa (pelo menos na visão dos EUA) e foi descrito por funcionários norte-americanos como possível primeiro esboço para um acordo de paz - seria supostamente secreto, mas foi divulgado quinta-feira (13) pelo jornal israelense Haaretz.
O texto também assinala que o governo israelense pretende manter colonos judeus nas Colinas do Golan (ocupadas pelo Estado judeu na Guerra dos Seis Dias, de 1967) mesmo após sua eventual devolução à Síria. Segundo o esboço, Israel quer prolongar a retirada de suas tropas do Golan por mais de três anos. Mas Damasco exige a desocupação total - de militares e colonos - em 18 meses.
"Israel deve aceitar a retirada de suas forças e dos colonos do Golan para as fronteiras de 1967 se quiser um acordo de paz com a Síria", insistiu hoje o diretor-geral da agência oficial síria Sana, Fayez al-Sayegh, comentando a informação do documento.
Embora não haja mudança na percepção de que Israel terá de desocupar pelo menos a maior parte do Golan em troca da paz, o vazamento do esboço parece auxiliar os esforços do primeiro-ministro Ehud Barak para convencer o público israelense de que seu governo não se está "vendendo".
Entre as concessões sírias mencionadas no texto está a oferta de permitir que Israel tenha um posto de observação no Golan após sua devolução. A estação seria dirigida por observadores militares norte-americanos e franceses, que informariam o Estado judeu sobre eventuais movimentações sírias na área.
O esboço de documento deixa claro que os dois lados ainda têm muitas questões-chave por resolver, como o traçado da fronteira, os arranjos de segurança e a divisão dos recursos hídricos. A próxima rodada de conversações sírio-israelenses nos Estados Unidos começará quarta-feira.
Em entrevista publicada hoje pelo jornal Maariv, Barak, que tem negociado com o chanceler sírio, Faruq al-Shara, disse que pode-se avançar nesse nível. Mas ressaltou que, se Damasco quiser fechar um tratado de paz, o presidente sírio, Hafez Assad
terá de deixar de lado sua recusa em reunir-se com ele.
"Há algumas questões que não podemos decidir sem que o presidente Bill Clinton e eu nos sentemos diante de Assad", afirmou. Barak também criticou a Síria por estar mantendo o Líbano (controlado por Damasco) fora das negociações.





