Sintomas do mal de Alzheimer podem confundir familiares
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terça-feira, 19 de setembro de 2006
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Entre 6 milhões e 8 milhões de brasileiros são portadores do mal de Alzheimer, doença que causa degeneração de células do cérebro. O diagnóstico precoce é, ainda, o principal aliado da medicina no controle da enfermidade, que não tem cura. A maior dificuldade para as pessoas próximas do doente é que os sintomas -esquecimento, confusão mental e oscilações de humor- se confundem com atitudes normais de quem já atingiu a terceira idade. Amanhã, Dia Mundial da Doença de Alzheimer, 74 países realizarão atividades para conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico e tratamento precoces.
Para o neurogeriatra Luiz Carlos Benthien qualquer alteração de comportamento que começa a se tornar frequente, especialmente a partir dos 65 anos de idade, deve servir de alerta para buscar ajuda médica. Alguns testes simples -como fazer um desenho- podem indicar a possibilidade da doença, mas o diagnóstico mais preciso e que atinge até 98% de especificidade é a ressonância magnética.
Por meio desse exame, é possível perceber a redução volumétrica do encéfalo, principalmente, no hipocampo que é a região da memória, explicou o médico. Uma outra preocupação em relação ao diagnóstico é que o Alzheimer pode ser confundido com outras doenças como depressão, hipotireoidismo ou um tumor cerebral. Benthien lembra que, nas mulheres, o Alzheimer pode se manifestar a partir dos 45 anos ou após a menopausa. Por isso, é importante uma visita anual a um neurologista.
Entre as enfermidades que causam demência, esta é a de maior prevalência no Brasil, lembra o especialista. Cerca de 50% dos casos são relacionados ao mal de Alzheimer. ''Até 2010, haverá um incremento de 70% na população de idosos do País'', disse o médico, apontando sua preocupação com crescimento da incidência do Alzheimer.
Segundo Benthien, existem, hoje, medicamentos de última geração que repõem a acetilcolina -substância presente nas células do cérebro e que é responsável por reter a memória. ''Esses medicamentos melhoram a qualidade de vida do paciente e retardam a progressão da doença'', acrescentou. A orientação para quem vai cuidar do doente também é fundamental para que essa pessoa não acabem apresentando algum distúrbio, destacou Benthien.
Um projeto de extensão do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), chamado ''Convivendo com a Doença de Alzheimer'', tem o objetivo de dar orientações a familiares e cuidadores profissionais para que eles saibam como lidar com a doença e com o paciente. O trabalho começou em agosto e envolve 20 famílias.
O professor Amer Cavalheiro Hamdan, coordenador do projeto, diz que o estresse entre os cuidadores dos pacientes com Alzheimer é muito grande. Metade deles, segundo a literatura médica, apresentam sintomas depressivos. Entre os dois grupos acompanhados no projeto, esse índice chega a 80%.
Hamdan aponta três regras básicas para acompanhar os pacientes. A primeira e fundamental é não confrontá-lo com a realidade em um momento de confusão mental. É aconselhável, também, procurar gerenciar o ambiente, evitando situações que deixem a pessoa irritada ou objetos que possam causar acidentes. E, por último, o cuidador deve reservar momentos para si próprio para evitar uma sobrecarga emocional.


