Sintomas corriqueiros podem sugerir câncer infantil
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domingo, 12 de agosto de 2007
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Uma queixa de dor de cabeça do filho Murylo Barbosa Muraro, de três anos, fez o alerta piscar para a mãe Angélica Barbosa Muraro. Até receber o diagnóstico de câncer, com o aparecimento de outros sinais, se passaram 30 dias. Naquele um mês parece que os sintomas apareceram da noite para o dia, comenta a mãe.
O diagnóstico de Murylo foi rápido, mas cerca de 45% dos pacientes de Londrina e região chegam ao especialista já em estágio avançado da doença. O número é semelhante ao detectado em São Paulo, no Grupo de Apoio à Criança e ao Adolescente com Câncer da Capital (Graac). O principal motivo para o diagnóstico tardio do câncer nas crianças é que, no início, os sintomas são típicos de doenças corriqueiras.
Para a oncologista pediátrica Tânia Anegawa, do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e do Instituto do Câncer de Londrina (ICL), outra das principais razões para esse diagnóstico tardio é que é difícil o médico pensar em câncer.
A doença é rara em criança. Apenas 2% dos casos de câncer em geral são em menores de 15 anos. Mas, nessa faixa etária (infância e adolescência) é a terceira causa de morte, perdendo apenas para acidentes e doenças infecciosas, informa Tânia. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), são 7 mil casos novos de câncer em menores de 18 anos por ano.
A médica alerta também para a resistência da família. A palavra câncer ainda assusta muito, mas a taxa de cura em geral é de 85%, afirma. Isso se a doença for descoberta em estágio inicial.
Os casos de leucemia e linfomas, que são quase 60% dos casos de câncer infantil, tem de 90% a 95% de cura, quando bem diagnosticados. Tumores diagnosticados em estágio inicial, normalmente tratados com cirurgia e quimioterapia, tem 80% de cura. Já em estágio avançado, as chances caem para 40% e o tempo de quimioterapia triplica. Os primeiros sintomas, segundo a médica, são gerais e podem sugerir tudo. Por isso é preciso, não alertar a população, mas melhorar o atendimento, para o médico pensar também na possibilidade de câncer, afirma Tânia.
Os sintomas iniciais são: perda de peso contínua e fraqueza (criança fica hipoativa), dor de cabeça (principalmente pela manhã), vômitos, sangramento (sem relação com trauma), dor (principalmente na perna ou nos braços), aparecimento de nódulo, febre prolongada (não associada com infecção) e sombra branca que aparece no olho quando se bate uma foto.
Os sinais não significam que a criança tem câncer, mas são sinais de alerta para procurar um médico. Se a criança tem uma gripe, vai ter febre, dor no corpo, e às vezes até sangramento no nariz. Por isso, não é preciso alarmar, mas procurar um médico. É ele quem vai poder orientar melhor, afirma Tânia.
O estigma do câncer infantil é que as pessoas acreditam que só de olhar sabem quem tem a doença. A maioria dos primeiros sinais é discreta. A permanência desses pequenos sintomas é o que indica que é preciso investigar, ressalta o diretor do Inca, Vicente Odone.
O câncer não pode ser a primeira hipótese de um sintoma. Mas não se pode descartar a investigação, completa a diretora da pediatria do Hospital do Câncer de São Paulo, Cecília da Costa. (Com Agência Estado)


