Sinistros têm causa na falta de cuidado
Curitiba - Durante o Congresso Interamericano de Trânsito e Transporte especialistas apontaram que o maior percalço para a melhoria do trânsito é cultural. Boa parte dos motoristas não aceita a culpabilidade e o mau comportamento ao dirigir. ''O brasileiro acha que radar é algo perverso. Na Europa tem muito mais radar e a população nunca pensou em questionar a existência deles. Aqui não só se questiona como se exige placas que sinalizem a sua existência'', diz Eduardo Todt, consultor de informática da UFPR e um dos organizadores do evento.
Todt sugere a discussão urgente da implantação das caixas-pretas automotivas. A medida já é lei nas montadoras norte-americanas. ''Assim como nos aviões, poderíamos saber com previsão a atitude do condutor durante a colisão, se ele acelerou, freou, qual velocidade ele estava, e outros aspectos relevantes. Seria decisivo em casos como o acidente que envolveu o deputado estadual, que provocou a morte de dois rapazes'', observa Todt.
Para o alemão naturalizado brasileiro, Harmuth Gunther, professor de psicologia da Universidade de Brasília, a falha no trânsito no País é uma ''epidemia'' de origem linguística. ''Quando falamos em acidente no Brasil tiramos o corpo fora porque acidente tem conotação de acaso. Mas sabemos que os sinistros têm causa na falta de cuidado do ser humano. Há um responsável, que bebe ou dorme ao volante, por exemplo. O evento em si não foi um acidente'', avalia o professor.(A.F.)





