Campinas, SP, 23 (AE) - A Singer do Brasil paralisou a produção na última segunda-feira e concedeu licença remunerada por 15 dias para 750 dos 1,1 mil trabalhadores que atuam na fábrica de Campinas. A unidade é a maior fabricante de máquinas de costura doméstica e industrial do País. O Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região está preocupado com o risco de demissões, caso a atividade industrial diminua também em outros setores.
Nenhum diretor da empresa foi localizado hoje para falar sobre a decisão de paralisar a produção. Em carta enviada ao Sindicato dos Metalúrgicos, porém, a Singer do Brasil limita-se a explicar que a medida atende a "necessidade de ajustar estoques e produção aos níveis da demanda atual". Esta é a segunda vez esse ano que a empresa interrompe a produção. Em fevereiro, a unidade concedeu férias coletivas para 900 trabalhadores.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Gerardo Mendes de Mello, acredita que a medida seja um reflexo da desvalorização do real frente ao dólar. Segundo ele, por causa da utilização de componentes importados, os empresários acabam aumentando os preços e o consumidor deixa de comprar. Em 1995, a unidade da Singer em Campinas chegou a produzir um milhão de máquinas por ano, totalizando cerca de 80 mil por mês. Na época, a fábrica empregava 3,2 mil trabalhadores. Atualmente, a média é de 50 mil unidades mensais.
O presidente do sindicato teme que o afastamento dos trabalhadores seja um prenúnicio de novas demissões. Só em fevereiro, segundo ele, as empresas metalúrgicas da região concederam férias coletivas a cinco mil trabalhadores. Segundo ele, há um clima de insegurança muito acentuado entre a categoria.

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