Sinduscon-SP recorre ao cade contra aumentos abusivos
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quarta-feira, 01 de dezembro de 1999
Por Denise Ramiro e Cleide Silva 
São Paulo, 01 (AE) - O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) denunciou hoje ao Cade e à Secretaria de Acompanhamento Econômico a alta "abusiva" de preços de materiais de construção ocorrida nos últimos 12 meses até novembro. Segundo o vice-presidente do sindicato, Eduardo Zaidan, alguns produtos "insubstituíveis" para o setor apresentaram reajustes muito acima da inflação no período, concentrados principalmente entre os meses de julho e setembro. Ele citou os reajustes do tubo de ferro (27,57%), fios de cobre (27,27%), cimento (23,66%), aço (22,41%), perfil de alumínio (22,82%) e massa pronta (20%), itens que subiram acima dos 17,97% registrados pelo IGP-M no período.
De acordo com Zaidan, o CUB de materiais de construção aumentou 5,65% nos últimos 12 meses até novembro. Desse total, 80% dos reajustes ocorreram entre julho e setembro. Na sua avaliação, não há justificativa para aumentos de produtos que não sofrem pressão de preços internacionais. Ele disse ainda que não aceita a explicação de que os preços estão repercutindo a desvalorização cambial, explicando que o efeito cambial já impactou no resultado do CUB de março. Apesar da alta elevada de alguns preços, porém, o CUB de novembro ficou em 0,52%, abaixo da inflação, na comparação com outubro. No acumulado do ano, o CUB registra alta de 5,73% e nos últimos 12 meses subiu 5,54%.
Os fabricantes de cimento reagem às acusações do Sinduscon-SP, alegando que o aumento do produto se deve ao repasse de custos principalmente com o óleo combustível - fornecido pela Petrobras -, que teve alta de 225% desde janeiro. Segundo o secretário-executivo do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento, João Fiuza, o produto é usado no processo de aquecimento dos fornos e responde por 50% do custo de produção do cimento.
Ele também citou o aumento de 35% no preço da energia elétrica e a desvalorização cambial, que teve influência nos preços dos equipamentos cotados em dólar. "Só isso seria suficiente para um reajuste acima daquele reclamado pelo Sinduscon, que é de 23,66%", disse.
Fiuza lembrou ainda que, em dezembro de 98, o preço do saco com 50 quilos de cimento custava US$ 5,43 e, em outubro, estava cotado a US$ 3,92. Em reais, o preço atualmente está na faixa de R$ 8,80. Na opinião de Fuiza, o Sinduscon sabe das pressões de custo enfrentadas pelo setor, "mas é um direto da entidade reclamar ao Cade."
Apesar da pressão dos preços, o setor de construção civil em São Paulo prevê crescimento de 6% para o ano 2000, tomando como base um PIB de 3,5% positivo para o País no próximo ano e inflação em torno de 6,5%. Em 99, segundo projeção do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o PIB da construção deverá cair 3,5%. De acordo com o Sinduscon-SP, após apresentar um desempenho negativo no primeiro semestre deste ano
o setor apresentou leve reação em agosto último, estimulado principalmente pela melhora das perspectivas para o ano 2000.
Dados do sindicato mostram ainda que o nível de emprego na construção civil em São Paulo registrou crescimento de 1,35 em outubro, em relação a setembro, o que corresponde à abertura de cerca de 5.500 vagas. A elevação do emprego em outubro aconteceu no segmento de construção residencial e especialmente no setor de infra-estrutura, ligado as privatizações e concessões.


