São Paulo, 11 (AE) - O Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) concluiu hoje a elaboração de um documento no qual propõe um pacto entre governo
sociedade e cadeia produtiva, nos campos macro e microeconômicos, contra a volta da inflação, da indexação e o aumento de preços injustificados. A entidade denominou esse pacto como "choque de credibilidade".
Segundo o presidente do Sinduscon, Sérgio Porto, a entidade reconhece os acertos do governo, mas acredita que é preciso fazer mais. "O desgaste político sofrido pelo governo desde a mudança cambial dificulta a eficácia das medidas tomadas no sentido de convercer agentes econômicos internos e externos"
disse Porto. O Sinduscon defende ações firmes do governo no plano macroeconômico e dos empresários em relação ao setor da construção civil.
No plano macroeconômico, o Sinduscon defende sete pontos: atuação firme do governo em favor da estabilização do câmbio em um patamar em torno de R$ 1,60; tomada de medidas para acabar com o déficit público por meio de redução de gastos de custeio do governo e equacionamento das dívidas dos governos estaduais e municipais; proibição de aumentos de tarifas públicas e impostos, e de novos tributos, como o Imposto Verde; queda de juros; reforma tributária, desonerando produção e exportação; política industrial e retomada do emprego; continuidade da modernização da legislação trabalhista.
No plano setorial da construção civil, o Sinduscon pede fórum de acompanhamento de Preços, instalado na Câmara da Indústria da Construção, da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), com o objetivo de evitar reajustes injustificados e excessivos de preços ao longo da cadeia produtiva; negociação com fornecedores para evitar reajustes e, quando for o caso, denúncias ao Cade - Conselho Administrativo de Defesa Econômica, do Ministério da Justiça - sobre prática de aumentos abusivos; dilatação de prazos de contratos de obras e serviços para possibilitar às empresas contratadas resistirem a pressões de seus fornecedores de insumos que tentem praticar reajustes excessivos e que a abertura desses contratados seja feita exclusivamente a critério dessas contratadas; criação de uma Câmara de Competitividade da Construção Civil no Ministério do Desenvolvimento, visando à redução do Custo Brasil; aprovação pelo Congresso da criação do SBH - Sistema Brasileiro de Habitação, para erradicar o déficit habitacional de 5 milhões e 400 mil moradias no País.
Na opinião do presidente do Sinduscon, no curto prazo, a proposta que pede a estabilização do câmbio em R$ 1,60 é a mais importante. "Estamos convencidos de que o governo tem instrumentos para fixar o câmbio neste patamar", afirmou Porto. Esse documento concluído hoje surgiu a partir da reunião da diretoria de Sinduscon, no último dia 9, com os associados da entidade. Na segunda-feira (22), a Câmara da Indústria da Construção deverá se reunir na sede da Fiesp, em São Paulo, para detalhar mais os pontos abordados no documento. Na ocasião, o presidente do Sinduscon apresentará o documento ao presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva.

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