Sinduscon investiga reajuste abusivo de preços
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quinta-feira, 28 de janeiro de 1999
Por Denise Ramiro 
São Paulo, 28 (AE) - O Sinduscon (Sindicato das Indústrias de Construção Civil do Estado de São Paulo), decidiu investigar os reajustes de preços que estão sendo anunciados por fabricantes e comerciantes do setor, segundo informaçäes obtidas junto aos associados da entidade. Entre os produtos que estariam sendo reajustados estão as tintas, derivados de cobre - usados em materias elétricos e hidráulicos - PVC, vidro e elevadores, neste último caso os reajustes estariam em torno de 30%.
Em reunião realizada hoje na sede do sindicado em São Paulo, segundo informou o vice-presidente do Sinduscon-SP, Eduardo Zaidan, a entidade decidiu pedir a colaboração dos seus dois mil associados para que informem quais os produtos que estariam sofrendo aumentos e qual seria o percentual de reajuste. A entidade quer saber também se o aumento está sendo praticado por todos os fornecedores de um mesmo segmento ou apenas por algumas empresas.
Dentre os produtos que já estão sendo investigados, Zaindan explica que é preciso analisá-los em três grupos diferentes. O primeiro, inclui os materiais que têm insumos importados, como o cobre e, portanto, sofrerão "inevitavelmente" reajustes. Na opinião de Zaidan, porém, é preciso verificar se os aumentos não são abusivos. A segunda categoria seria formada por itens de exportação que, com a desvalorização do real, estariam tendo seus preços adaptados ao valor do mercado internacional, caso do alumínio, aço e PVC.
Segundo Zaidan, os preços desses produtos no exterior tiveram uma valorização de pelo menos 40%, o que tornaria as exportaçäes mais atraentes para o fabricante local. "Só que internamente esses itens não teriam sofrido nenhum aumento de custo com a mudança cambial", argumenta Zaidan.
O último grupo, segundo Zaidan, inclui os produtos que não dependem de insumos importados e, então, não deveriam ter seus preços reajustados. "Vamos verificar para ver se as tintas e os vidros estão dentro dessa categoria de materiais", disse Zaidan. Segundo o vice-presidente do Sinduscon-SP, se for constatado reajuste abusivo, a entidade vai recorrer aos órgãos competentes do governo para resolver o problema.
No próximo dia 9, o Sinduscon deverá realizar um seminário, em sua sede em São Paulo, no qual estarão reunidos os presidentes das empresas associadas. O objetivo do encontro, segundo informou Zaidan, é nortear açäes do sindicato diante da crise, definindo uma pauta de reivindicaçäes do setor em favor do desenvolvimento da construção civil e da geração de emprego.


