São Paulo, 05 (AE) - O vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon)
Eduardo Zaidan, criticou hoje a decisão do governo de aumentar a taxa de juros e o preço dos combustíveis. "Não estava na hora de o governo mexer em tarifas públicas. Já estamos no limite da arrecadação de impostos", disse Zaidan.
Segundo ele, o setor da construção depende muito do transporte e o custo dos combustíveis "certamente" será repassado para as construtoras. Outra reclamação de Zaidan é quanto ao fato de o governo não ter divulgado qual o câmbio adotado para fixar o aumento de 11,5% dos combustíveis.
O congelamento das tarifas públicas é um dos itens que fazem parte de um pacto entre governo, sociedade e cadeia produtiva, nos campos macro e microeconômicos, contra a volta da inflação, da indexação e o aumento de preços injustificados, proposto pelo Sinduscon-SP no mês passado.
A queda da taxa de juros, que ontem (03) pulou de 39% para 45% ao ano, também está entre as reivindicações do setor. "A construção vive de investimentos. Com os juros altos, ninguém vai colocar dinheiro no setor", explica Zaidan. A contrapartida dessa política de juros altos, diz ele, é o agravamento da recessão.
O Sinduscon-SP também defende no documento do "pacto" a estabilização do câmbio em torno de R$ 1,60, redução do déficit público, reforma tributária, desoneração da produção e exportação, modernização da legislação trabalhista, retomada da política industrial e do emprego.
De acordo com Zaidan, os construtores estão fazendo a sua parte no pacto. Graças a muitas rodadas de negociações com fornecedores, conta Zaidan, os empresários do setor conseguiram segurar o aumento da cesta básica da construção, que subiu 0,58%
em fevereiro, contra 3,61% do IGPM no mesmo período.

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