Os primeiros sintomas começam em torno dos 25 anos, mas normalmente a pessoa só se dá conta de que há algo errado e busca ajuda mais de dez anos depois, por volta dos 35 a 40 anos. Ansiedade excessiva, estresse e fadiga crônica são alguns dos fatores que podem piorá-la. Por isso, já é possível falar em prevenção contra a fibromialgia, síndrome que atinge particularmente as mulheres - são nove para cada caso masculino. ''É uma síndrome silenciosa. Quando a pessoa é mais jovem não presta tanta atenção, mas os sintomas ficam mais crônicos e as dores mais fortes com o passar dos anos'', aponta a farmacêutica especialista em acupuntura Karolina Widerski, de Londrina.
O ortopedista e acupunturista Ricardo Yamamoto, que faz parte de um grupo de pesquisa sobre o assunto no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), reforça a recomendação de se prevenir contra a fibromialgia. Apesar da causa da síndrome ainda não ter sido esclarecida, há trabalhos, segundo Yamamoto, que apontam que sua manifestação está relacionada a algum tipo de trauma, seja uma cirurgia, problema familiar ou acidente de trânsito. ''Há pesquisas que relacionam a fibromialgia a uma alteração de neurotransmissores, mas não há nada comprovado'', afirma. Outra suspeita é que o estresse seja uma das causas. ''Ainda é uma suposição, mas nota-se que a grande maioria das mulheres que têm a doença têm dupla jornada'', aponta.
Yamamoto explica que a síndrome fibromiálgica é uma doença sistêmica, com sintomas por todo o organismo, com dor generalizada, muscular, óssea, subcutânea e na pele. Além disso, a doença está associada a alterações do sono, como insônia, fadiga, rigidez nas articulações, colo irritável, alterações urinárias, como cistite, e pernas irriquietas. E pode se manifestar em uma faixa etária ampla, dos 18 aos 70 anos.
Não há exames que comprovem a existência da síndrome. Isso é feito através do exame clínico. A apalpação de 18 pontos espalhados pelo corpo, definidos pela Academia Americana de Reumatologia, mostra que, se 11 deles estiverem doloridos, pode-se considerar que a pessoa tem fibromialgia. Exames não mostram inflamação, explica o médico, mas são feitos para descartar outras possibilidades.
Analgésicos e antidepressivos que atuam na dor são algumas das opções de tratamento medicamentoso contra a fibromialgia. Mas, hábitos que promovem a qualidade de vida, como alimentação equilibrada, atividade física e sono de qualidade, podem tanto prevenir, quanto fazer parte do tratamento de quem já tem a síndrome. ''Uma coisa que a maioria esquece e que funcionaria como prevenção é o lazer'', diz Yamamoto.
Outro fator que o médico chama a atenção é que não adianta olhar só para a parte física e mental, é preciso ver a espiritual. ''Tivemos uma paciente no nosso grupo que usava 12 medicamentos e nada resolvia. Ela melhorou quando lembrou de algo importante que havia ocorrido e que ela não havia perdoado. É um caso só, mas mostra que a parte espiritual é importante''.
''Ter uma atividade para não se estressar, buscar um tempo para descansar, relaxar, isso é essencial'', finaliza Karolina.

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