Apesar de atingir cerca de 20% da população ocidental, a Síndrome do Intestino Irritável (SII) ainda é desconhecida pela maioria das pessoas. Sintomas como dor ou desconforto abdominal, distensão (inchaço do abdome pelo excesso de gases) e prisão de ventre ou diarréia, característicos da síndrome, são muitas vezes tratados de maneira inadequada.
E o costume de recorrer à automedicação, utilizando laxantes e anti-espasmódicos, pode trazer consequências sérias, alerta o gastroenteorologista Weber de Arruda Leite, de Londrina. Só no Brasil, calcula-se que mais de 15 milhões de pessoas sofram da síndrome, que afeta principalmente as mulheres - as estimativas são de quatro mulheres para cada grupo de cinco pessoas.
Uma pesquisa desenvolvida pela indústria farmacêutica Novartis sobre a síndrome apontou que dificilmente as pessoas procuram um médico quando os sintomas se manifestam e, mesmo quando há a procura, fica a dúvida sobre qual o melhor especialista a procurar. A pesquisa foi realizada em quatro estados brasileiros, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul, com 400 mulheres, entre 16 e 55 anos, que tinham apresentado pelo menos três dos principais sintomas característicos da SII nos últimos 12 meses.
O especialista enfatiza que é necessário procurar um médico sempre que há constipação de início súbito ou recente, constipação prolongada ou intensa, apesar de mudanças na dieta, e surgimento de sangue nas fezes ou dor abdominal intensa. O normal, explica Leite, é que as pessoas não evacuem menos que três vezes por semana, ou mais de três vezes por dia.
Diversos fatores podem causar a doença, que interfere até mesmo na qualidade de vida, no humor, na capacidade de concentração e no relacionamento social, incluindo momentos de apreensão e permanente sensação de insegurança. Entre as causas, explica Leite, está o estilo de vida e alimentação, alguns medicamentos, e até mesmo stress. ''Há pessoas que ficam muito ansiosas, e a ansiedade e a depressão podem provocar a síndrome. Às vezes é uma alergia ou intolerância alimentar. É uma doença com causa variável de pessoa para pessoa'', enfatiza.
Apesar de ser uma doença que não provoca lesões e que não implique em algum risco à vida, a melhor atitude, explica o médico, é mesmo a prevenção. Isso se consegue principalmente com a mudança de hábitos alimentares - ingestão de pelo menos 30 gramas de fibras por dia, horários regulares das refeições e pratos variados e ricos em frutas e verduras. É recomendado também praticar exercícios, limitar o consumo de alimentos gordurosos, e para quem sofre de diarréia, diminuir a cafeína.
O médico recomenda ainda o aumento da ingestão de líquidos, não gaseificados, não alcóolicos e com o mínimo de açúcar. ''É melhor fazer pequenas refeições várias vezes ao dia, do que duas ou três grandes, que reduzem as contrações intestinais'', explica.
Leite faz ainda um alerta - quem usa muito laxante pode alterar o funcionamento do intestino. O medicamento em excesso, explica, irrita o tubo intestinal, que fica tão ''viciado'' que não funciona mais. ''Há pessoas que não conseguem mais evacuar, e precisam passar por lavagem intestinal. É um trabalho de paciência se reeducar, mas vale a pena'', avalia.

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