Síndrome da Pressa afeta 10% das pessoas
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2005
Silvana Guaiume<br>Agência Estado 
Campinas, SP - Pessoas que não têm tempo para nada, irritam-se quando os outros exigem sua atenção, detestam histórias cheias de detalhes e sentem-se culpadas quando estão ociosas são potenciais portadores da síndrome da pressa, termo cunhado pela pesquisadora Marilda Lipp, professora da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). São pessoas que têm como base de sua personalidade a urgência de tempo. Têm pressa mesmo quando não há nada que a justifique, diz a pesquisadora. Segundo ela, há vários níveis da síndrome - nos mais graves, ela pode até potencializar riscos de enfarte e úlcera gástrica.
De acordo com Marilda, na pressa não há distinção de idade ou sexo. Homens, mulheres, crianças e idosos podem ter síndrome da pressa. O problema se agravou com a informatização. As pessoas querem a resposta do ser humano com a mesma rapidez que a obtida no computador, afirma.
Além da rapidez eletrônica, vários outros fatores contribuem para desencadear o problema, como o enxugamento nos quadros das empresas, o que força o funcionário a acumular tarefas, sob riso de demissão, o medo do desemprego e a convivência com outros doentes. Crianças acabam desenvolvendo a síndrome por causa dos pais, que cobram respostas rápidas a tudo o que propõem aos filhos, explica. Ela lembra ainda que a síndrome não é provocada apenas no ambiente de trabalho, mas pode ser desenvolvida também por pessoas que se sentem atarefadas na vida social ou esportiva.
Os estudos sobre o tema são desenvolvidos na PUC-Campinas no Laboratório de Estudos Psicofisiológicos do Stress (Leps), criado por Marilda para desenvolver pesquisas sobre o tema. Lá, dos 4 mil pacientes atendidos no ano passado, 1.500 apresentavam a síndrome da pressa. Fizemos uma pesquisa entre executivos e verificamos que 90% deles têm sintomas da síndrome. A estatística indica que ela afeta patologicamente 10% da população em geral, afirma. Segundo a professora, 75% dos enfartados têm a doença, que também compromete a vida social dos pacientes. Parentes e amigos se sentem sempre em segundo plano, conta.
A pesquisadora aponta outros comportamentos que podem indicar a síndrome, como segurar objetos com força maior que a necessária, comer e andar muito rapidamente.


