Os servidores federais da Previdência Social no Paraná, em greve desde 17 de abril, decidiram ignorar a última proposta apresentada pelo Planalto para a retomada das atividades. A decisão foi tomada em assembléia realizada anteontem, e tem abrangência nacional. Na gerência executiva da regional de Londrina, cerca de 70% dos 400 funcionários estão em greve e exigem reajuste salarial mínimo de 50%, além da revisão do Plano de Cargos, Carreiras e Salários dos Servidores.
Segundo o diretor do Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Paraná (Sindiprevs), Lincoln Ramos e Silva, a proposta apresentada pelo ministro Amir Lando na semana passada previa reajuste entre 12% e 34%. ''Além de ser um reajuste ilusório, o Planalto esquece que resolver os problemas financeiros do INSS não é o suficiente'', frisou Silva. ''Temos mais estagiários do que funcionários nas agências da Previdência. Muitos servidores vão se aposentar este ano e o atendimento vai ficar comprometido'', explicou.
A intransigência do Ministério da Previdência Social também incomoda o Sindiprevs. De acordo com Silva, o sindicato mostra disposição para negociar. ''Estamos sem o reajuste da data-base há nove anos, e o valor real do nosso equiparação salarial seria de 127%. Mas estamos dispostos a negociar, tanto que já fizemos uma proposta de 50,19%'', comentou Silva.
A greve, que completa hoje 20 dias, começou a comprometer a retirada de benefícios nas agências bancárias em Londrina. Esperando por atendimento em frente ao posto do INSS da Rua Professor João Cândido, no Centro, Madalena Amaral, 40 anos, desejava desbloquear o cartão para retirada do auxílio-doença, do qual faz uso há um ano e dois meses. ''Ainda não posso trabalhar por causa de uma lesão no braço e dependo desse benefício. Me orientaram a tentar o desbloqueio do cartão pelo telefone, mas ninguém atende'', contou.
Expedito Carvalho, 49 anos, também esperava por atendimento no posto do INSS com o mesmo problema. ''Já tive dificuldades para marcar o exame médico para conseguir meu benefício, por causa da greve dos peritos (no ano passado). Agora que consegui o auxílio, não consigo retirá-lo'', disse Carvalho.
Cartazes em frente à agência orientam a população a procurar o INSS via telefone. Também há avisos de que somente as perícias médicas pré-agendadas serão realizadas. Segundo a chefe da área de benefícios da previdência em Londrina, interessados em agendar consultas devem fazê-lo via Correios. ''As cartas serão abertas nas agências e as pessoas serão chamadas para a consulta'', disse.
Segundo a chefe da área de benefícios da Previdência Social de Londrina, Cristina Melo, no caso do desbloqueio dos benefícios, as pessoas devem ligar para a gerência, no telefone (43) 3342-2575. ''Poderemos agilizar esse processo'', explicou Cristina. A recusa no atendimento ao caso de Madalena Amaral, que foi impedida pelo segurança do posto de entrar na agência, foi justificada pelo gerente executivo da Previdência de Londrina, Reinaldo Bruniera, como ''um mal-entendido''.

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