São Paulo, 24 (AE) - O síndico Selsino Gonçalves Souto, de 41 anos, matou com três tiros, ontem (23) à noite, o professor José Marques de Souza, de 49 anos. O assassinato, diante de uma câmera instalada no elevador, aconteceu no edifício Sabiá, um prédio do condomínio Recanto dos Pássaros, no Butantã, zona oeste de São Paulo.
O síndico e o morador, segundo vizinhos e amigos, discutiram algumas vezes por causa da prestação de contas do condomínio, mas nunca haviam passado disso. Eles moravam no mesmo prédio. Souto tinha um apartamento no 12.º andar e Souza, no 5.º. Em dezembro, o síndico mandou instalar, por medida de segurança, câmeras nos elevadores, nas garagens e na portaria.
Pouco depois das 23 horas de ontem uma delas registrou o momento em que Souza, ao chegar em seu andar, foi surpreendido por Souto.O síndico puxou o professor pela camisa e disparou três vezes uma pistola calibre 380 contra ele. Foram dois tiros na cabeça e um no abdome. Souza morreu no corredor de seu andar. Souto deixou junto ao corpo as chaves de seu carro. Ele fugiu a pé, flagrado mais uma vez pelas câmeras de vídeo ao deixar o condomínio.
A mulher de Souza, Leda Venâncio Marques, abriu a porta de sua casa após ouvir os tiros, viu o marido ferido e pediu socorro. A fita mostra a chegada de outras pessoas ao local. Minutos antes do crime , Souto aparece descendo em direção ao andar do professor.
Prisão - Os policiais do 93º Distrito Policial e do Instituto de Criminalística encontraram, além das chaves, três cápsulas deflagradas e um projétil, que acreditam tenha atravessado o corpo do professor. Apreenderam também o porte e o registro da arma de Souto e as duas fitas de vídeo que registraram o crime e a fuga do síndico. A prisão preventiva do síndico foi decretada e ele está foragido.
A maioria dos moradores do condomínio definiu Souto como uma pessoa calma, tranquila. "Ele jogava bola com a gente", contou o asssistente comercial Nestor Marcondes Júnior, de 27 anos. Ele ouviu, de seu apartamento, no segundo andar, três estampidos. Mas não deu importância ao barulho. "Havia crianças brincando no pátio."
Poucos sabiam das divergências entre o professor e o síndico. O sócio de Souza no Colégio Marcel Proust, Marco Antônio Franklin de Matos, de 46 anos, disse que uma única vez, há meses, Souza comentou algo sobre o caso. "Ele se queixava de o síndico não prestar contas nas reuniões." O professor, segundo ele, era tido entre os 750 alunos da escola como conciliador e conhecia todos pelo nome. Os dois eram sócios havia 22 anos. "As pessoas dizem: tenho uma arma e nunca vou usar; mas usam", disse Matos, que atribui ao porte de arma de Souto a tragédia.As aulas foram suspensas hoje

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