Síndico da massa falida da Encol ameaça ação para reter bens de Souza
Brasília, 28 (AE) - O síndico da massa falida da Encol, Roldão Izael Cassimiro, informou hoje à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro no Senado, que entrará com ação na Justiça para que os bens pessoais do ex-dono da empresa, Pedro Paulo de Souza, e dos diretores, no valor de aproximadamente R$ 800 milhões, sejam transferidos para a massa falida. Ele explicou, em depoimento aos senadores, que o passivo da empresa é de cerca de R$ 2 bilhões, e o ativo, de apenas R$ 200 milhões, suficientes apenas para pagar as dívidas trabalhistas. O síndico explicou ainda que está tentando anular, na Justiça, transferência de bens - no valor de cerca de R$ 40 milhões - feita pelos gestores da Encol quando perceberam a impossibilidade de sanear a empresa. Cassimiro informou que os advogados Paulo Viana e Sérgio Paixão receberam, desses bens, mais de 3 mil cabeças de gado pertencentes ao grupo Encol e mais cotas do shopping Bougainville, em Goiânia, como pagamento de honorários advocatícios. De acordo com o síndico, as cotas valeriam R$ 15 milhões, mas foram transferidas com o valor de apenas R$ 2 milhões. Cassimiro disse também que está pedindo uma perícia contábil sobre as dívidas bancárias da Encol, que totalizam R$ 1 bilhão. Ele disse acreditar que os bancos estão cobrando juros abusivos e afirmou que, se isso for comprovado, adotará as medidas judiciais cabíveis para proteger a massa falida. O síndico informou ainda que a Encol hipotecou ao Banespa seis torres residenciais construídas no Rio que haviam sido quitadas pelos moradores e estavam habitadas. Cassimiro sugeriu que os mutuários entrem com uma ação ordinária, na Justiça, pedindo a desconstituição da hipoteca ao juiz da massa falida da Encol. Ele previu que, em 60 dias, concluirá a arrecadação de bens do grupo e estimou que poderá encerrar o processo de falência em um ano e meio.





