Sindicatos rurais cobram desapropriação de terras
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segunda-feira, 19 de abril de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Representantes de sindicatos rurais de todo o Paraná estão em Curitiba discutindo as atuais políticas agrícola e de reforma agrária, e cobraram, ontem, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) do Paraná uma avaliação sobre o andamento dos processos de desapropriação de terras e implantação de assentamentos. Cerca de 1 mil famílias filiadas a 331 sindicatos rurais têm interesse direto no assunto, pois segundo a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep), são cadastradas como beneficiárias da reforma agrária.
Para o diretor de políticas agrícolas da Fetaep, Mário Plefk, o quadro apresentado pelo superintendente do Incra no Estado, Celso Lisboa de Lacerda, não é animador. Os processos de desapropriação são lentos; há dificuldade de encontrar novas terras consideradas improdutivas e a aquisição de áreas é complicada por causa do elevado custo.
Hoje, deve ser feita uma pauta de reivindicações. Um dos pedidos será a agilização no assentamento das 1 mil famílias.
Representantes das cerca de 170 famílias que estão acampadas desde novembro na área conhecida como Herval, na fazenda Araupel, em Espigão Alto, também participaram do encontro. Os líderes Pedro Roman e Ricardo Dente Neto relataram que só ocuparam a área porque não acharam justo que famílias de fora da região tivessem prioridade.
Roman mostrou um papel com carimbo do Incra/PR, de 27 de junho de 1985, que seria da época em que as famílias acampadas na Herval foram cadastradas no órgão: há quase 20 anos. Até então, elas arrendavam terras para plantar. ''Já que não podemos ser assentados nos 25 mil hectares que o Incra compre essa área também'', cobrou Dente Neto. Ele se referiu à área ocupada por 2 mil famílias e que está sendo negociada pelo governo federal com a Araupel.
Na semana passada, policiais foram cumprir o mandado de reintegração de posse, mas o despejo das famílias foi suspenso. Roman e Dente Neto se queixaram de que, antes da suspensão, 40 barracos já haviam sido derrubados por funcionários da fazenda. Celso Lacerda informou que a compra da área reivindicada é inviável por ser parte de reflorestamento e de mata nativa.


