Sindicatos querem que MP investigue demissões na Ambev
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domingo, 19 de setembro de 1999
Por Renata Rondino 
São Paulo, 20 (AE) - O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, e o presidente da Federação dos Trabalhadores da Alimentação, Melquíades Araújo, se reuniram esta manhã com o procurador geral do Ministério Público do Trabalho, Guilherme Maastrich Basso, solicitando uma investigação nas demissões ocorridas após o processo de fusão entre Antarctica e Brahma (Ambev).
Segundo Araújo, já foram demitidos mais de 150 funcionários em fábricas de São Paulo e em Porto Alegre desde o anúncio da fusão das duas cervejarias, e as expectativas dos sindicatos são de se chegar a 15 mil demissões. O procurador vai tentar um acordo entre empresas e funcionários em uma audiência a ser realizada no próximo dia 4 de outubro, em Brasília. "Queremos que os funcionários demitidos voltem a trabalhar e que haja garantia de emprego após a aprovação da fusão", afirmou Paulinho.
Para Araújo, as empresas não estão dispostas a negociar. "Na reunião de hoje, mandaram advogados como representantes (Airton Soares pela Antarctica e Fernanda Rocha pela Brahma), em vez de mandar um diretor. Advogados não têm poder de negociar com trabalhadores pela empresa", afirmou o sindicalista. "Se não houver acordo, entraremos com um pedido de inquérito civil solicitando o cancelamento da fusão". As empresas, segundo ele, alegam que os funcionários demitidos foram repostos, "mas não chegaram a dar a menor satisfação" aos sindicatos. Por isso, os trabalhadores também solicitam que o MP apure os termos do negócio entre Antarctica e Brahma. "Queremos esclarecer se estamos falando de uma fusão ou de uma compra disfarçada", disse Paulinho.


