Sindicatos querem adiar votação do projeto para 2002
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de novembro de 2001
De Londrina 
A expectativa do governo federal é que o projeto sobre a flexibilização seja aprovado até dezembro. Mas os sindicatos dos trabalhadores estão se mobilizando para tentar adiar a votação da matéria para o ano que vem. ''Como vai ser ano eleitoral, os parlamentares não vão querer votar contra os trabalhadores para não perder votos'', aposta o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Água e Esgoto de Londrina e Região, Milton Marques. ''Se não houver uma grande mobilização, vamos ficar sem os direitos trabalhistas.''
O diretor do Sindicato dos Bancários de Londrina, Geraldo Fausto dos Santos, diz que não se trata de flexibilização, mas de um confisco dos direitos. ''O projeto pode ser resumido como uma retirada de direitos dos trabalhadores, de conquistas históricas'', ressalta. Segundo ele, a proposta irá facilitar a demissão dos trabalhadores.
Na opinião de Santos, se o projeto for aprovado , os trabalhadores vão ficar à mercê do que for negociado por sindicatos atrelados aos patrões. ''Trabalhadores que não têm força de mobilização e representação iriam para uma negociação de fachada porque o sindicato atrelado ao patrão vai entregar os direitos dos trabalhadores'', prevê.
O diretor do sindicato dos Bancários considera a CLT um instrumento ultrapassado, mas ''a saída não é mexer na CLT para atentar contra direitos dos trabalhadores''. O sindicalista defende um debate intenso, envolvendo congresso, sociedade e sindicatos, para criar um novo modelo de contratação. ''Não deve ser uma decisão apenas de ministério.'' (L.O.)


