Brasília, 16 (AE) - Entidades sindicais de todo o País formalizam terça-feira (18) os principais pontos do movimento para levar às ruas o debate para elevar a R$177 o valor do salário mínimo, igualando-o, hoje, a US$100. O ponto alto do movimento será a transmissão ao vivo, em pontos de alta concentração de pessoas, da votação da medida provisória que fixa o mínimo em R$ 151, marcada para o dia 26. De acordo com o deputado Paulo Paim (PT-RS), a idéia é de ocupar o período que antecede à votação da MP com debates públicos que possibilitem à população conhecer a posição de parlamentares e partidos que vão votar a proposta. Para Paim, essa "vigília nacional", vai proporcionar a cada um dos aposentados e dos trabalhadores do País a chance de acompanhar o voto do deputado e senador que ajudou a eleger. "Será a hora da verdade", defendeu. "A população vai estar de olho no Congresso".
No encontro que terá nesta terça-feira com representantes de confederações, centrais sindicais e dos aposentados, Paim disse que serão acertados os locais em várias cidades onde serão instalados painéis que vão exibir as imagens da votação da medida provisória. "A população vai saber quem é quem", defendeu. Também será utilizada a comunicação prévia, já a partir desta semana, pela Internet. Ela funcionará como canal de comunicação com os 513 deputados e 81 senadores que vão decidir se o valor do salário mínimo fica em R$151, como quer o governo, ou se sobe para os R$177 como desejam os partidos de oposição e parte do PFL. Qualquer que seja o resultado, PauloPaim disse que os votos serão "transportados" para out-doors que, distribuído nos principais municípios, "vão mostrar aos eleitores como agem seus representantes".
Além de tentar conter os efeitos dessa briga nas ruas, o governo tem ainda contra si as divergências na posição de dois de seus principais aliados: o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e o líder do PMDB, Jader Barbalho (PA). ACM mantém-se firme na posição de defender um valor mais elevado para o salário mínimo. Segundo ele, se houver um acordo do seu partido com o governo, os R$177 passariam a valer a partir de janeiro do ano que vem. Se não houver, o valor passar a valer a partir do projeto de conversão resutlante da votação da medida provisória. Ele já convocou a sessão do dia 16 para a medida provisória.
Já Barbalho, disse não ver razão para mudar o valor de R$151 acertado numa reunião coordenada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso "sem que ninguém discordasse desse valor". O líder do PMDB disse que só mudará de opinião se o ministro da Previdência Social, Waldeck Ornélas, provar que um valor mais elevado não quebrará a Previdência. "Pelo que ele disse na reunião, qualquer aumento seria mortal para as contas públicas"
lembrou. Jader Barbalho tem a seu lado a quase totalidade dos integrantes do PSDB, embora muito deles reconheçam que essa posição poderá prejuidicar o partido nas eleições municipais de outubro. "Pior que isso, seria o governo perder o controle da economia", defendeu um parlamentar. "E é para que isso não ocorra, que nós vamos votar de forma sensata".
Fora do debate sobre o mínimo, a semana no Congresso será tranquila. A agitação maior deve ocorrer na Comissão de Assuntos Econômico (CAE) do Senado, que t em apenas esta semana para decidir sobre a rolagem da dívida de R$10,5 bilhões da prefeitura de São Paulo e das prefeituras de Osasco, Campinas, Guarulhos e Rio Claro. O presidente da comissão, senador Ney Suassuna (PMDB-PB), espera reunir amanhã os representantes desses quatro municípios com um representante do Banco Central que dará o encaminhamento à dívida mobiliária pendente. Já com relação a São Paulo, Suassuna disse que colocará em votação, também nesta terça-feira, o parecer do relator Romero Jucá (PSDB-RR) favorável à rolagem de toda a dívida em 30 anos. Como haverá pedido de vistas, ele previu que a votação só deve ocorrer na terça-feira da semana que vem.

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