Belém, 5 (AE) - O valor de venda da usina hidrelétrica de Tucuruí, calculado pelo governo em R$ 3,8 bilhões, está sendo contestado pela Intersindical Norte - entidade que congrega sindicatos de servidores do setor elétrico na Amazônia Legal e Distrito Federal.
O coordenador da entidade, Mauro Martinelli Pereira, afirma que esse valor está muito abaixo do que as Centrais Elétricas do Norte (Eletronorte) gastaram inicialmente na construção e, depois, para colocar em funcionamento a primeira etapa da hidrelétrica, localizada no Pará.
Segundo Pereira, para operar as 12 turbinas de Tucuruí, que juntas geram 4,2 mil megawatts de energia, foram gastos entre R$ 6 a R$ 7 bilhões. "O preço que calcularam para colocar a hidrelétrica à venda é ridículo", critica. A gerência da Eletronorte em Belém não quis se manifestar sobre o assunto. Ela sugeriu que fosse ouvido o representante da presidência da empresa para a área de privatização em Brasília, Ronaldo Alves, mas este não foi localizado. Pereira disse que o preço da hidrelétrica para venda foi calculado pelo "fluxo de caixa descontado". Para ele, esse método acabou desvalorizando o patrimônio a ser privatizado. "Somos totalmente contrários à privatização, mas, se esta vier, que seja feita com base num preço justo e no real investimento realizado pelo governo federal em Tucuruí". A Eletronorte, hoje, segundo o sindicalista, fatura metade de sua receita anual de R$ 900 milhões com a distribuição da energia produzida e Tucuruí, pois todos os outros sistemas de abastecimento na região são "deficitários". Pereira acredita que as grandes produtoras de alumínio que atuam no Pará, como a Albrás e a Alunorte, que compram do governo energia a preços subsidiados são as maiores interessadas na privatização da hidrelétrica. "Como os subsídios oficiais só irão acabar em 2.004, elas podem até se associar para comprar a usina e continuar usufruindo desses favores".

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