Sindicatos argentinos protestaram contra reforma trabalhista
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2000
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 24 (AE) - Grande parte dos sindicatos da Confederação Geral do Trabalho (CGT) protestaram hoje à tarde contra a reforma trabalhista na histórica Praça de Mayo, na frente da Casa Rosada, sede do governo.
Os sindicatos consideram que a reforma aumentará a instabilidade no trabalho, além de elevar o desemprego. A mobilização dos sindicatos teve sucesso, embora tenha incluído uma convocação à greve geral por 24 horas que teve mínima adesão.
No entanto, a agitação sindical dos últimos dias teve impacto no Congresso, onde a reforma estava sendo debatida. Ao contrário do amplo consenso esperado, a moção do projeto de reforma foi aprovada na Câmara de Deputados por levíssima diferença: 97 votos a favor e 92 em contra.
"Eu me pergunto onde está o consenso que o governo alardeava?", disse o líder do sindicato dos caminhoneiros, Hugo Moyano durante seu discurso na Praça de Mayo. Moyano é o único candidato a secretário-geral da CGT, e seria confirmado no cargo no dia 16 de março.
Lorenzo Miguel, eminência parda da CGT há três décadas, disse que na votação da reforma nos próximos dias no Senado "teremos mais sorte".
Miguel recordou as treze greves gerais feitas ao ex-presidente Raúl Alfonsín, e ameaçou repetir o mesmo ao atual governo: "Faremos todas as greves que forem necessárias."
A CGT está em um momento crítico: na terça-feira-feira, o atual secretário-geral da organização, Rodolfo Daer, concordou em um pacto com o governo sobre a reforma. Em protesto, na quarta, acompanhado de representantes de 90 dos 120 sindicatos que formam a CGT, Moyano tomou a sede da central.
Simultaneamente ao protesto da CGT, a Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), a segunda central sindical do país, realizou um protesto na frente do Congresso Nacional. Ali, o presidente da central, Victor De Gennaro, reuniu 5 mil pessoas
e declarou que a luta contra a reforma continuará.
O acordo da reforma consistiu em um consenso do governo, empresários e uma ala da CGT, e garantiu a manutenção dos encargos sociais dos trabalhadores aos sindicatos, sua principal fonte de dinheiro. No entanto, os sindicatos perdem poder com a reforma dos convênios coletivos de trabalho: em vez dos sindicatos nacionais, as negociações serão levadas pelos comitês de trabalhadores de cada empresa.


