São José dos Campos, SP, 01 (AE) - O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP) quer reverter a demissão de 220 funcionários da Avibras Indústria Aeroespacial. A decisão de pressionar a empresa foi tomada hoje em assembléia. O anúncio do afastamento foi feito pela direção da companhia no final da tarde de ontem (31). O governo federal é apontado como o grande responsável pela crise da empresa, pois cortou as verbas do Exército destinadas à quitação de seus contratos com a Avibras.
A dispensa de empregados afetou as fábricas de São José dos Campos e de Jacareí, além da subsidiária Tectran. A medida foi adotada pela falta de parte do pagamento da venda de US$ 200 milhões em armamentos firmado com o Exército brasileiro, que incluía o sistema Astros 2 e a bateria anti-aérea EDT Fila. Segundo Porto, o contrato venceu no final de dezembro e a encomenda está pronta, mas a armada não tem como saldar sua dívida. "A culpa é toda do governo que não libera os pagamentos", declarou o vice-presidente do grupo, Rubens Porto.
Porém, os sindicalistas acreditam que o número de demitidos deva ser maior que o declarado pela Avibras, podendo chegar aos 270 funcionários. Caso esse número se confirme, isto representaria quase 40% de seu quadro funcional. A Avibras disse ter no momento 450 empregados e as demissões já foram suspensas. "Acreditamos que essa reestruturação possa ainda demitir mais trabalhadores", afirmou a dirigente sindical, Ana Paula de Simone.
Os representantes da categoria exigem ainda o pagamento do salário de janeiro, que está atrasado. Outra decisão tomada na assembléia é uma paralisação total das atividades fabris na Avibras a partir do dia 9. A companhia terá até essa data para rever sua posição quanto aos demitidos e acertar os pagamentos atrasados, inclusive do fundo de garantia. O sindicato também denunciou ao Ministério do Trabalho a manutenção de um depósito irregular de 3,5 toneladas de amianto no interior da fábrica 2, em Jacareí.
Segundo Porto, a empresa tem até 2005 para se desfazer do material proibido e seu armazenamento é totalmente seguro. A Avibras vê no marcado externo a saída para contornar a crise. Com a desvalorização do real, a empresa espera conseguir entrar novamente no mercado internacional de armamentos convencionais. O dirigente da empresa informou que há entendimentos com clientes potenciais que podem resultar em vendas nos próximos meses. " Nossos preços voltaram a ficar competitivos no mercado externo", comentou.
A Avibras ainda espera a liberação do pagamento do Exército e o reequilíbrio econômico de seu contrato com a armada. O grupo Avibras, formado pela Avibras, Tectran e Powertronic, chegou a ser uma das maiores exportadoras de produtos bélicos do País nos anos 80. Até 1987, ela empregava cerca de 7 mil trabalhadores em três turnos de produção. Na época, um calote do Iraque de US$ 400 milhões acelerou a decadência da Avibras.
O principal produto militar desenvolvido pela Avibras é o sistema Astros 2, multidisparador de foguetes de saturação de área. Esse equipamento é utilizado pelo exército brasileiro, da Arábia Saudita, Iraque, entre outros países. Assim que a crise chegou a seu ápice, no começo da década de 90, a empresa entrou em concordata e acabou diversificando sua linha de atuação com produtos civis, entre eles recepção de sinais de tevê por satélite, informática e tintas para a construção civil.

mockup