Sindicato teme que fusão Brahma-Antarctica feche fábricas no RS
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quinta-feira, 22 de julho de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 23 (AE) - Mais de 600 trabalhadores poderão ser despedidos e quatro fábricas de bebidas fechadas no Rio Grande do Sul em consequência da fusão entre a Brahma e a Antarctica, segundo informação do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação, de Porto Alegre. As unidades de Canoas
Montenegro, Estrela e Getúlio Vargas, todas da Antarctica, estariam sob risco de desativação em favor da concentração da produção na planta da Brahma em Viamão, cidade da região metropolitana de Porto Alegre.
"Após 120 dias, que é o prazo em que estão proibidas em demissões, poderemos perder quase 700 postos de trabalho", avaliou o presidente do sindicato, Renato de Oliveira Borges. Ele afirmou ter recebido a notícia da possibilidade de desativação no domingo, em reunião no Center Park Hotel, em Porto Alegre, com o membro do conselho de administração da Antarctica, José Duarte Serpa.
"Ele nos disse que teríamos que achar uma solução", contou Borges. "Sabemos que alguma coisa vai acontecer", teme o sindicalista. "Serpa, um negociador da empresa que conhecemos de outras ocasiões, veio de São Paulo e nos chamou ao hotel para tratar deste assunto", relatou.
Adquiridas pela Antarctica, as fábricas de Estrela e Getúlio Vargas produziam originariamente as marcas regionais Polar e Serramalte. Segundo Borges, teriam juntas cerca de 350 trabalhadores. A unidade de Montenegro teria mais 200 e Canoas 95.
Borges imagina uma proposta que, genericamente, envolveria o reaproveitamento dos funcionários em outras unidades da Brahma, em Sapucaia do Sul ou Viamão. "Queremos aproveitar estes 120 dias, sentar à mesa e encontrar uma solução com as empresas", comentou.
Incentivos - Inaugurada no ano passado, a unidade de Viamão foi implantada com o auxílio do Fundo Operação Empresa (Fundopem), um sistema de financiamento público de plantas industriais, através da isenção de até 100% do ICMS. Os R$ 190 milhões que a Brahma - beneficiada com o Fundopem Especial - investiu na planta serão recuperados integralmente pela empresa através do abatimento do imposto a pagar.
Porém, enquanto abria a nova fábrica valendo-se do subsídio, a Brahma encerrava as atividades nas plantas de Porto Alegre e de Passo Fundo. Borges acha que é preciso avaliar cuidadosamente este tipo de incentivo com dinheiro público. "Não é correto que a empresa beneficiada feche unidades ou vagas, mesmo em outras fábricas", registrou.


