Sindicato Rural nega contratação
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terça-feira, 05 de abril de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Os oito detidos na operação ''Março Branco'' foram ouvidos na tarde de ontem na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba. O presidente do Sindicato Rural de Ponta Grossa, Marcos Degraf, citado nas investigações, também prestou depoimento, negando as acusações contra a entidade.
''Nós nunca fizemos isso. Sempre fomos contra o uso de força e vamos continuar sendo'', declarou Degraf, referindo-se à suposta contratação de milícias pelo sindicato. Ele afirmou que a organização não pode responder por iniciativas de seus associados, mas garantiu que não tem conhecimento de que qualquer fazendeiro da região tenha contratado segurança armada. Até porque, complementou, Ponta Grossa não tem sido alvo de invasões. ''E esperamos que continue assim'', disse.
Degraf confirmou que conhece o tenente-coronel Valdir Copetti Neves, pois ele é proprietário de terra em Ponta Grossa e também comandou a desocupação de sua fazenda, em 1999, quando ainda era major e chefe do Grupo Águia.
As lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) preferiram não se manifestar sobre o assunto. Por meio da assessoria de imprensa informaram que se sentem satisfeitos com o trabalho da polícia, pois o movimento já vinha denunciando a existência de milícias armadas e a violência contra os trabalhadores rurais.
Até o final da tarde, o tenente-coronel Valdir Copetti Neves ainda não tinha sido interrogado. O advogado, Cláudio Dalledone, preferiu não adiantar as estratégias de defesa, pois não tinha conhecimento formal das acusações contra seu cliente. Os oficiais da PM, que ficaram o tempo todo na PF para dar apoio ao tenente-coronel, informaram que ele seria transferido para a Academia do Guatupê, em São José dos Pinhais, região metropolitana, assim que terminasse o depoimento. A prisão em quartel da PM é prerrogativa, por lei, dos integrantes da corporação.


