Londrina - O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP Sindicato) reuniu na manhã de ontem cerca de 1,5 mil professores da rede estadual de educação em sua sede em Londrina, localizada na Avenida Juscelino Kubitschek, no primeiro dia de greve da categoria. A reunião teve como objetivos informar os professores sobre o que foi discutido na assembleia em Guarapuava, realizada no sábado, e organizar o movimento grevista, para que todas as decisões sobre manifestações fiquem centralizadas pelo comando de greve.
O presidente do Núcleo de Londrina da APP Sindicato, Márcio André Ribeiro, exigiu que o governo atenda três pontos fundamentais para se discutir a possibilidade de suspensão da greve.
"Em primeiro lugar, queremos a retirada ou que os deputados rejeitem os projetos de lei que extinguem a Paraná Previdência. Isso faria com que o servidor que contribuiu por 20 anos perdesse o direito à aposentadoria. O outro projeto acaba com toda e qualquer carreira do funcionalismo e atinge principalmente os professores. O nosso plano de carreira foi construído em 40 anos de luta, com muita negociação. Ele não pode ser destruído com uma canetada", afirmou.
O segundo ponto reivindicado é o pagamento da dívida com os servidores contratados pelo processo de seleção simplificado (PSS). "Muitos professores foram dispensados e não receberam a rescisão. Muitos deles estão ‘a ver navios’, passando dificuldades", apontou. O terceiro ponto é que seja reaberto um canal de negociação com a Secretaria de Estado da Educação (Seed). "Havia um diálogo, mas ele foi encerrado desde o fim das eleições", afirmou.
Ele destacou que mais de 200 pessoas viajariam na noite de ontem para Curitiba para acompanhar a votação dos projetos do pacote de medidas que o governo enviou à Assembleia Legislativa e que deve ser apreciado hoje. "Se tivéssemos dez ônibus disponíveis, todos eles lotariam, tamanha a revolta dos professores com a situação. Mas vamos segurar um pouco, pois pode ser que essa votação demore mais do que um dia e os professores tenham que dormir em Curitiba", declarou Ribeiro.
"Todos os especialistas apontam que para haver qualificação dos professores é preciso ter valorização profissional, e o principal aspecto para a carreira ficar em uma situação confortável é o plano de progressão. Depois de 40 anos de negociação para conquistar isso em 2004 para os professores e em 2007 para os servidores, estão chamando isso de privilégio. Avançar na carreira é privilégio? Isso pode ser completamente extinto da noite para o dia. É uma coisa séria e está sendo feita de forma arbitrária", criticou.
Uma das professoras presentes na reunião questionou o motivo de somente os professores terem seus salários atrasados em situações de contingenciamento de verbas. "Por qual motivo o salário de nossos governantes nunca atrasa quando isso acontece?", ironizou. Outro professor sugeriu a suspensão do salário de todos os cargos comissionados antes que se cogitasse o corte do salário dos professores.
Sobre o atraso no repasse do fundo rotativo, a direção de uma das escolas relatou que recebeu apenas oito das dez parcelas do Governo Estadual para custear as despesas com reformas, mas ressaltou que o Governo Federal também não está enviando dinheiro. "Nós recebemos apenas uma das duas parcelas do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), que previa o repasse de duas cotas de R$ 16 mil", apontou.
O secretário de Estado da Educação, Fernando Xavier Ferreira, informou na semana passada que o governo vai acertar ainda neste mês o pagamento das rescisões dos professores contratados por PSS e que o 1/3 de férias dos docentes será pago em duas parcelas, em março e abril. (V.O.)

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