Curitiba - O Sindicato dos Auditores Fiscais da Previdência Social no Paraná (Sinfispar) questiona a forma como foram exonerados seis funcionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no Paraná, oficializada pelo ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, na segunda-feira. Seis pessoas perderam o cargo de chefia por suspeita de fraude, entre elas a gerente-executiva Laura Cristina Bianco da Costa.
As seis pessoas são suspeitas de participarem de um suposto esquema que beneficia algumas empresas que estão em dívida com o INSS. Através do pagamento de propina, funcionários poderiam zerar ou diminuir o valor dos débitos, e ainda fornecer Certidão Negativa de Débito (CND) falsa. Pelo menos dez grandes empresas teriam se beneficiado do esquema. O serviço de inteligência fiscal da Polícia Federal (PF) calculou um rombo inicial de R$ 24 milhões, que poderia chegar a R$ 168 milhões.
O presidente do Sinfispar, João Alfredo Franco Samways, disse que o afastamento é necessário para realizar procedimento administrativo. ''Mas mesmo antes da investigação estão sendo considerados culpados'', criticou. Ele disse que não pode comentar as suspeitas. ''Há um sigilo de informações que devemos respeitar'', observou. A reportagem não conseguiu contato com Laura nem com os outros exonerados. Em entrevista a uma emissora de tevê, eles disseram que não tinham relação com as suspeitas.
Entre as empresas que teriam se beneficiado com o esquema, de acordo com reportagem do jornal ''O Globo'', citando uma fonte do serviço de inteligência fiscal da PF, estão a Risotolândia, Sociedade Educacional Tuiuti, Vepasa Veículos, que na segunda-feira já haviam afirmado que as denúncias não eram procedentes.
A Nutrimental, empresa do atual presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo Rocha Loures, também teria se livrado de uma dívida de R$ 3,7 milhões. Ontem a empresa divulgou nota oficial em que diz que nunca solicitou favores ou perdão de dívidas a nenhum agente fiscal. Os únicos valores devidos ao INSS estão incluídos no Programa de Recuperação Fiscal (Refis), ''devidamente declarados e perfeitamente regular perante as autoridades previdenciárias''.
O Clube Atlético Paranaense, que teria deixado de pagar uma dívida de R$ 350 mil, convocou ontem uma entrevista coletiva com a presença de integrantes do conselho fiscal, deliberativo e executivo para se explicar (leia mais no caderno de esportes). De acordo com o advogado Marcos Malucelli, o Atlético não tem nenhum envolvimento com supostas fraudes ao INSS. Ele disse que a última vistoria completa do INSS no clube foi feita em 1999, mas desde então há fiscalizações constantes. Malucelli também disse que o clube se inscreveu no Refis para pagar uma dívida de R$ 1,44 milhão. ''Com a adesão ao Refis, há naturalmente a fiscalização'', relatou. A Total Linhas Aéras, que teria zerado uma dívida de R$ 4 milhões, não retornou o contato com a reportagem.

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